Se eu entrar para a prática da Ciência Cristã em tempo integral, poderei levar uma vida normal (música, cinema, amigos, etc.)?
Podemos levar a vida que é muitíssimo normal quando temos o poder e o amor de Deus animando-nos e motivando-nos! O que é maravilhoso na Ciência Cristã é que ela enriquece cada aspecto da nossa experiência humana, pois nos desperta para a identidade imortal que temos como expressão de Deus. Embora os praticistas registrados, no Journal e no Arauto, se dediquem em tempo integral a estar disponíveis para aqueles que necessitam de ajuda pela oração, isso não os impede de glorificar a Deus dançando, cantando, cavalgando, pintando e praticando qualquer outra atividade que demonstre a riqueza da Vida, Deus.
Esporte, cinema, computadores, livros são também meios através dos quais a riqueza de Deus pode expressar-se para nós. Descobri que, à medida que coloco as coisas espirituais em primeiro lugar, se começo cada dia e enfrento cada situação com o desejo de expressar, compreender e glorificar a Deus, aparecem espontaneamente diversas atividades que me ajudam a ajudar os outros e a enriquecer minha experiência. Também perco facilmente o interesse por atividades que poderiam impedir-me de abençoar os outros.
Em certo tipo de atividades, eu estaria talvez mantendo no pensamento, e tornando real, uma mente humana pessoal ao invés de ceder espaço, conscientemente, à nossa Mente única e divina. Uma vez que Deus sempre nos guia, tudo que somos inspirados a fazer, por motivos puramente espirituais, será o correto para a ocasião.
Naturalmente, não estamos trabalhando sozinhos. Deus sabiamente nos ajuda ao longo do caminho e isso inclui suprir todo o bem que possamos necessitar em nossa vida. No dia-a-dia, frequentemente encontramos esse bem nos amigos que nos ajudam a crescer espiritualmente. Por outro lado, algumas vezes somos gentilmente levados a nos afastar de pessoas ou influências que poderiam ser destrutivas ou que poderiam nos desviar do caminho. A presença de Deus sempre aparecerá de maneira a nos abençoar.
Todavia, como podemos conciliar o tempo dedicado à família, os compromissos sociais e o tempo para orar, neste mundo que parece ser cada vez mais corrido? Descobri que a solução para conciliar tudo o que tenho para fazer é compreender meu lugar como a expressão do Princípio divino. Quando aceito a sugestão de que eu seja apenas um mortal tentando satisfazer à família, aos amigos, e ao mesmo tempo dar tratamentos espirituais apropriados, fico frustrado e sobrecarregado. Quanto mais reconheço, porém, que sou a ideia imortal do Princípio, tanto mais descubro que cada momento é um momento sagrado, ativo, ordenado, produtivo e uma bênção para todos.
Estou na prática da Ciência Cristã em tempo integral há 26 anos. Durante sete desses anos, também fui treinador voluntário de uma Liga Infantil de beisebol, fui assistente de chefe de escoteiros, professor da Escola Dominical, além de professor e conferencista da Ciência Cristã. Por meio de Sua natureza como Princípio, Deus trouxe o equilíbrio, a sincronia apropriada, a inspiração, a resistência, o repouso e a habilidade de fazer tudo o que era esperado de mim.
Nunca temos de abandonar aquilo que nos é caro a fim de ser praticistas em tempo integral. Além disso, o que cada um de nós verdadeiramente valoriza em nossa vida é Deus revelando Sua bondade, beleza, poder, harmonia, ternura e paz. Ao invés de perdermos aquilo que nos interessa, ganhamos muito mais à medida que descobrimos e demonstramos sua essência divina.
Existem ocasiões, porém, em que a prática da Ciência Cristã envolve sacrifício. Uma olhada ao ministério de Jesus mostra claramente que o sacrifício leva à salvação. Mary Baker Eddy descreveu salvação como: “A Vida, a Verdade e o Amor compreendidos e demonstrados como supremos sobre todas as coisas; o pecado, a doença e a morte destruídos” (Ciência e Saúde, p. 593). Contudo, nunca nos é exigido que sacrifiquemos a família ou a atividade normal, mas, sim, apenas o senso material dessas coisas, ou seja, o senso que as vê como se fossem algo separado daquilo que Deus concede. Quanto às posses, é importante não ser dominado por elas. De novo, a compreensão de que expressamos sem esforço o equilíbrio do Princípio, mantém espiritualmente fundamentada a perspectiva do sanador.
Algumas vezes, um pedido de ajuda vem quando estamos com a família ou prestes a participar de um evento social. Nessas ocasiões, é natural arranjar momentos tranquilos, necessários para a oração. Aí, o sacrifício é uma alegria e nem o praticista, nem sua família, deveriam jamais se sentir privados do bem. As curas e a libertação que resultam dessas horas de abnegação são algo maravilhoso e apagam qualquer sentimento de perda.
Se achamos que a família, o trabalho e as obrigações sociais nos mantêm ocupados demais para ponderar a prática pública em tempo integral e para dedicar-nos a ela, talvez precisemos aprender que nunca falta tempo para amar. Somente o Amor cura. Como importante expressão do Amor divino, você e eu estamos exatamente onde o Amor está revelando sua ternura e sua graça, à sua própria maneira. O Amor sabe que sempre temos o tempo necessário para amar. O Amor quer que cada um de nós também saiba disso.
KEITH WOMMACK, CORPUS CHRISTI, TEXAS, EUA
Algumas vezes, meus amigos me pedem, de maneira casual, para orar por eles, mas nem sempre me sinto seguro sobre o que dizer, isto é, não tenho certeza quanto à diferença entre tratamento pela Ciência Cristã e oração.
É ótimo que seus amigos percebam seu amor e interesse por eles a ponto de lhe pedir que ore por eles! Não é raro alguém pedir isso a um amigo que, notoriamente, inclui a oração como parte diária de sua vida. Além disso, os Cientistas Cristãos estão muito bem equipados para orar dessa maneira.
A motivação para toda oração deve ser o amor, ou seja, o amor a Deus e o amor pelo nosso semelhante, o homem. O tipo de oração a que você está se referindo expressa ternamente o amor por um amigo ou familiar e pensa neles da maneira como Deus os conhece, mas não se dirige ao pensamento deles nem se intromete em suas crenças, sejam elas quais forem. Essa oração é uma doce compreensão do amor de Deus por Sua criação e um reconhecimento carinhoso da grande solicitude que Ele propicia a cada um de Seus filhos. A Oração do Senhor é um bom exemplo desse tipo de oração (ver Mateus 6:9-13 e Ciência e Saúde, pp. 16-17).
Esse tipo de oração também faz parte dos cultos das igrejas da Ciência Cristã em todo o mundo, a cada semana. Mary Baker Eddy incluiu um artigo em O Manual de A Igreja Mãe que diz: “As orações nas igrejas da Ciência Cristã deverão ser oferecidas coletiva e exclusivamente em prol das congregações” (ver p. 42). Essa oração profunda e genérica não é um tratamento individual da Ciência Cristã para cada pessoa presente na congregação. Ela pode ser um poderoso reconhecimento da presença e governo de Deus nesses cultos, afirmação da proteção, cura e graça salvadora que deve emanar desses cultos para todos os participantes. Naturalmente, essa oração abençoa a todos os presentes e, dessa maneira, beneficia a comunidade.
Um tratamento pela Ciência Cristã é também uma expressão de amor e de solicitude compassiva, mas é muito específico em sua execução. Ele se dirige diretamente ao pensamento do paciente e, por isso, deve ser dado somente quando especificamente solicitado, ou, em caso de emergência, quando não existe nenhuma outra ajuda disponível que a pessoa necessitada pudesse escolher. Em um artigo intitulado: “A cura mental intrusa”, Mary Baker Eddy esclarece esse ponto: “Esta questão se apresentará: Deve-se dar tratamento mental a uma pessoa sem seu conhecimento ou consentimento? A regra expressa para a prática da Ciência Cristã é a Regra Áurea: ‘Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós a eles’. Quem de nós gostaria de ter sua casa arrombada ou a fechadura forçada? Muito menos gostaríamos de ter nossa mente manipulada” (Miscellaneous Writings 1883-1896 [Escritos Diversos], p. 282). Um maravilhoso esboço geral do tratamento pela Ciência Cristã encontra-se nas páginas 390 a 394 de Ciência e Saúde.
Vale a pena observar que o capítulo sobre “A Oração” em Ciência e Saúde é o primeiro capítulo do livro, enquanto que o capítulo “A Prática da Ciência Cristã”, que inclui instruções específicas sobre o tratamento pela Ciência Cristã, encontra-se centenas de páginas mais adiante. Para mim, isso demonstra um reconhecimento muito definido da distinção entre os dois modos de oração e a necessidade de uma compreensão espiritual mais profunda para dar um tratamento pela Ciência Cristã em comparação com orar de maneira mais geral.
Em última análise, tanto a oração generalizada como o tratamento específico pela Ciência Cristã curam, uma vez que ambos afirmam a verdade sobre Deus e o homem. A oração é o “quarto” do pensamento onde comungamos privadamente com Deus. O tratamento pela Ciência Cristã ocorre quando alguém nos convida a partilhar desse “quarto”, chama-nos a ajudá-lo a vencer o medo, as crenças contrárias à saúde, e a encontrar inspiração, ideias espirituais e cura.
BARBARA PETTIS, HAVERHILL, MASSACHUSETTS, EUA
Sei que muitas pessoas ganham a vida como praticistas da Ciência Cristã. Como elas fazem isso? Como é possível fazer da prática pública um meio de sustento?
É importante abordar essa questão de forma completa. A abundância e a prática pública da Ciência Cristã andam de mãos dadas. Para o praticista, cada dia é um novo dia para descobrir a bondade magnificente e infinita de Deus. O bem infinito é realmente infinito. Não é que existe apenas um pouquinho de bem no mundo, com todos tentando freneticamente abocanhar a própria parte. A afluência de Deus, o bem divino, sustenta tanto a prática como o praticista.
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!” (Romanos 11:33). Deus tem todo o bem que nós poderíamos desejar e, como Sua expressão, cada indivíduo possui esse bem por reflexo. Deus não raciona uma pitadinha de bem aqui e ali. Todos somos unos com o bem infinito de Deus, aqui e agora.
Portanto, de onde se originou essa noção de que uma pessoa deva fazer voto de pobreza a fim de trabalhar como praticista da Ciência Cristã? Certamente não na teologia cristã original. Pobreza e servir a Deus não tinham nada em comum no tempo de Jesus, como também não têm nada em comum hoje.
Não é a quantidade de dinheiro, mas o padrão de pensamento, o que determina nosso padrão de vida. A abundância é algo muito além de dinheiro ou coisas. Exatamente como existe um único Deus verdadeiro, existe um único bem verdadeiro. Esse bem não está na matéria, está no Espírito, Deus. Existe um ditado antigo, porém útil, que diz: Se você quer se sentir rico, apenas conte tudo o que você tem e que o dinheiro não pode comprar. Alegria, estabilidade, amor, força, harmonia não podem ser comprados, porque são, em realidade, inteiramente espirituais. Eles são atributos de Deus e pertencem a cada um de nós como Seus filhos. Dar graças pelo bem espiritual de Deus, já presente, transforma nossa maneira de pensar. À medida que nosso padrão de pensamento muda, ou seja, inclui mais os fatos espirituais da Vida, o que vivenciamos no dia-a-dia, reflete, de maneira fácil e natural, essa altitude de pensamento.
Por conseguinte, para alguém que esteja servindo ao público como praticista da Ciência Cristã, é útil habituar-se a sentir profunda gratidão pelo interminável bem de Deus, que é inteiramente espiritual e está inteiramente presente. O suprimento não é uma conta bancária. Não são os pacientes. Não provém de uma fonte material. O suprimento do bem sempre provém de Deus e somente de Deus.
As pessoas agradecem os praticistas remunerando-os. Isso é completamente certo. Cada pagamento é uma nota de agradecimento, simbolizando a gratidão do paciente pelo tratamento da Ciência Cristã. Contudo, Deus é o único provedor de um suprimento transbordante de bem, tanto para o paciente como para o praticista. A evidência de tal abundância frequentemente aparece para os praticistas e pacientes sob a forma de ideias e percepções espirituais e inspiradoras. “Deus vos dá Suas ideias espirituais, e elas, por sua vez, vos dão o suprimento diário”, escreveu Mary Baker Eddy. Ela continuou: “Jamais peçais para amanhã; é suficiente o fato de o Amor divino ser uma ajuda sempre presente; e se esperardes, jamais duvidando, tereis tudo o de que necessitais, a cada momento. Que maravilhosa herança nos é dada mediante a compreensão do Amor onipresente! Mais não podemos pedir, mais não queremos, mais não podemos ter. Essa doce garantia diz: ‘Acalma-te, emudece’ a todos os temores humanos, a todo tipo de sofrimento” (Miscellaneous Writings 1893-1896 [Escritos Diversos], p. 307).
Sim, “Deus vos dá Suas ideias espirituais”. Dá a você. “Bendito seja o Senhor que, dia a dia, nos sacia fartamente de benefícios”, diz a Bíblia na versão King James (Salmo 68:19). Por meio da oração tranquila, permitimos que Deus nos mostre que Seu bem imensurável já está conosco. Uma vez que a totalidade de Deus permeia tudo o que somos e fazemos, podemos esperar pacientemente nEle e confiar nEle completamente para cada aspecto do nosso bem-estar, enquanto trabalhamos ativamente como praticistas.
Quando Jesus calmamente alimentou uma multidão com uns poucos pães e peixes, ele tinha uma perspectiva muito diferente, em comparação com as pessoas ao seu redor. Ele realmente não criou nada naquele dia. Não era necessário. Ao usar o senso espiritual, ele reconheceu o suprimento infinito do bem que já estava presente. Isso era o bastante, não somente para aqueles milhares de pessoas, mas era também mais do que suficiente para os discípulos de Jesus, que estavam servindo. Constatei que tudo isso é verdade, ao iniciar minha prática de cura quando era jovem, casado e com filhos. Ao compreender que nada podia interferir no meu comprometimento em servir a Deus e aos Seus filhos, descobri que, da mesma maneira, nada podia interferir no cuidado de Deus em satisfazer cada necessidade, tanto para mim como para minha família.
Na prática pública da Ciência Cristã, é bom saber que o poder da presença de Deus, o espírito do Cristo dentro em nós, traz à luz em nós, de forma amorosa e abundante, um propósito, uma atividade e uma realização, com todas as necessidades supridas.
MARK SWINNEY, ALBUQUERQUE, NEW MEXICO, EUA
Muitas vezes, parece mais fácil orar pelos outros do que orar para nós mesmos. Como posso orar em prol de mim mesmo, de forma consistente, e quão importante é fazer isso?
Orar para si mesmo pode ser comparado a um mecânico que mantém seu próprio carro bem regulado para que possa ir ao trabalho todos os dias e consertar os outros carros, ou a um professor que se mantém bem informado, a fim de ensinar os outros. A oração em prol de nós mesmos torna possível orar para os outros de forma eficaz.
Mary Baker Eddy evidentemente considerava tão imperativa a oração para si próprio que fez um pedido urgente: “Uma coisa tenho desejado com fervor e, de novo, a peço sinceramente, a saber, que os Cientistas Cristãos, aqui e em toda parte, orem diariamente em prol de si mesmos, não verbalmente, nem de joelhos, mas mental, humilde e importunamente. Quando um coração faminto pede pão ao divino Pai-Mãe Deus, não lhe é dada uma pedra — e sim, mais graça, obediência e amor. Se esse coração, humilde e confiante, fielmente pedir ao Amor divino que o alimente com o pão celestial, saúde e santidade, ele será feito merecedor de receber a resposta ao seu desejo; então, fluirá para ele ‘a torrente de Suas delícias’, o tributário do Amor divino e um grande crescimento na Ciência Cristã se seguirá — ou seja, aquele regozijo que encontra seu próprio bem no bem que proporciona a outro” (Miscellaneous Writings 1883-1896 [Escritos Diversos], p. 127)
Ela também incluiu um artigo sobre esse tipo de oração no Manual da Igreja, intitulado: “Vigilância quanto ao dever”. “Será dever de todo membro desta Igreja defender-se diariamente contra sugestão mental agressiva, e não se deixar induzir ao esquecimento ou à negligência quanto ao seu dever para com Deus, para com sua Líder e para com a humanidade. Segundo as suas obras será julgado — e justificado ou condenado” (p. 42).
Vigilância é um ponto chave, pois, algumas vezes, podem passar dias inteiros antes que nos lembremos de fazer uma oração específica e conscienciosa para nós mesmos. Contudo, tal oração consistente pode ser como uma ducha mental da manhã a qual limpa e revigora, deixando-nos prontos para o dia. Ou, pode ser breve, de um ou dois minutos, mais tarde durante o dia, servindo como uma refeição do meio-dia que fortalece e satisfaz. Também, pode ser um sussurro de gratidão ao final do dia, que coloca o nosso repouso pacificamente nos braços de Deus. O sanador eficaz toma como norma agendar um horário para a oração persistente tal como abre espaço para qualquer outra atividade do dia.
Entretanto, a oração em si está longe de ser rotineira. Ela é sempre um intervalo de frescor, de comunhão espontânea com o Amor divino, no qual depomos nossos fardos do dia e aceitamos, elevamos em pensamento, o Cristo sanador. Então, durante o dia todo estamos alerta para detectar aqueles impostores mentais que nos fariam vítimas do furto de identidade espiritual. Ao primeiro sinal de preocupação (quer dizer, de medo), nossa fortaleza espiritual, o Amor divino que dissipa o medo, já está a postos para nos proteger. Sempre que somos tentados a ficar irritados ou a criticar os outros, estamos armados com a lei crística de amar-nos uns aos outros, lei que já estabelecemos em oração.
Se tivermos a tendência a ficar desanimados, a oração espiritualmente fundamentada nos diz gentilmente: “Não se entregue”, e encontramos a coragem do domínio dado por Deus, já presente no pensamento. Quando o estresse, a fadiga ou a depressão tentam invadir nossa paz, estamos alerta para rejeitar tais intrusos mentais que não são parte de nossa natureza e, em vez disso, acolher a força da confiança crística que a fiel oração diária proporciona.
Tal oração exige vigilância incessante, para manter limpa nossa própria casa mental. Não é egoísta nem é centrada no eu humano. Em realidade, ela é por excelência a atividade cheia de vida que, durante os dias de agenda cheia, nos mantêm silenciosa e alegremente centrados em Deus.
MARIAN ENGLISH, COLORADO SPRINGS, COLORADO, EUA
Como lidar com a sensação de que não estou capacitado a curar alguns desafios que aparecem?
Essa sensação pode surgir quando o praticista acha que tem de realizar um grande trabalho de cura por meio de sua própria capacidade pessoal. A Ciência Cristã é enfaticamente a Ciência da cura por meio da Mente divina e não por meio de mentes humanas. Ciência e Saúde declara: “A mente humana não tem poder algum para matar ou curar e não exerce domínio algum sobre o homem de Deus. A Mente divina, que fez o homem, mantém Sua própria imagem e semelhança” (p. 151). Jesus expressou um poder notável para curar doenças e ressuscitar mortos, mas ensinou que essas curas não eram o resultado de seu próprio poder pessoal. Ele estava fazendo o que seu Pai o guiava a fazer. Ele disse: “Eu nada posso fazer de mim mesmo” (João 5:30). Compreender a verdade do ser a partir de uma perspectiva divina, e não de uma perspectiva pessoal, pode trazer cura em todos os casos.
Pode ser que algumas vezes o praticista fique intimidado pelo conceito equivocado de que a doença seja aquilo que os pontos de vista convencionais presumem que seja. Mary Baker Eddy explicou: “É tratamento mental errôneo fazer da doença uma realidade — considerá-la como algo que se vê e se sente — e depois tentar curá-la pela Mente” (Ciência e Saúde, p. 395). De uma perspectiva humana, uma doença ou condição adversa parece ser alguma fase do mal atacando um indivíduo, fora do controle da Mente divina. De um ponto de vista mais elevado, centrado em Deus, cada um está sempre sob o completo controle da Mente infinita, a salvo no cuidado do Pai-Mãe. A doença é uma imagem do pensamento humano aparecendo exteriormente, e não tem nenhum poder ou inteligência em si mesma. Como o mal não provém de Deus, não tem nada para sustentá-lo, enquanto a Verdade, Deus, sustenta ininterruptamente a natureza e o ser verdadeiro e perfeito de cada expressão de Sua criação.
Para vencer o sentimento de incapacidade, o praticista pode reconhecer humildemente que a Mente divina é o único sanador e pode chegar mais perto da Mente divina em sagrada comunhão espiritual, para que compreenda a Deus como Ele certamente é, a saber, todo-poderoso e sempre presente, sempre capaz de curar. A capacidade de curar é simplesmente a capacidade de reconhecer, de um ponto de vista espiritual, o que é verdadeiro a respeito de seu paciente e o que não é verdadeiro a respeito da situação apresentada pelos sentidos materiais.
Dois sinônimos de Deus que ajudam a aprofundar a certeza e a confiança no poder sanador da Ciência Cristã são Mente e Amor. Talvez possa vir ao pensamento do praticista a sugestão de que a Mente sabe exatamente aquilo que tanto o praticista como o paciente precisam compreender para curar o problema, mas que, por alguma razão, a Mente não está transmitindo isso a eles. O praticista pode saber que, como Deus é também o Amor divino, Ele não sonegaria nenhum bem aos Seus amados filhos. Ou, talvez possa vir a sugestão mental de que o Amor divino deseja profundamente consolar, mas não sabe como fazê-lo para que traga compreensão e cura. Uma vez que Deus é também a Mente divina, a fonte de toda inteligência, a Mente sempre sabe exatamente o que é necessário. À medida que o praticista reconhece que o Todo-poderoso é a Mente que é Amor, e que o Amor é Mente, ele pode ter certeza que tanto o paciente como o praticista recebem a bondade e o amor todo-poderosos de Deus, e podem constatar e dar testemunho disso na cura.
O papel do praticista é ser um bom ouvinte da Mente e uma testemunha fiel daquilo que o Amor tem feito, está fazendo e fará pelo seu paciente, o filho perfeito de Deus. A Mente divina expressa, através do praticista humilde e confiante, a sabedoria e o amor que curam.
BRIAN TALCOTT, BERKELEY, CALIFORNIA, EUA
Tenho de aceitar todos os casos que me aparecem?
Sim e não! Na verdade, não existe nenhuma lista que possamos consultar para determinar se devemos ou não aceitar um determinado caso. Contudo, existe uma norma muito útil no Manual da Igreja, que diz: “A escolha de pacientes fica a critério do praticista, e a Sra. Eddy não deverá ser consultada sobre esse assunto” (p. 87). Esse artigo, que diz respeito à prática, torna claro que o relacionamento entre praticista e paciente é realmente um assunto de Deus, ou, como Cristo Jesus o definiu, faz parte dos “negócios do Pai”.
Fica claro que Mary Baker Eddy não achava que estivesse em posição de julgar qualquer caso específico. Ela deixou para a sabedoria do praticista decidir. Como pode alguém adquirir essa sabedoria? Oração e experiência! Quando comecei a aceitar pacientes, frequentemente lembrava as palavras de Jesus: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (João 6:44). O trabalho, em espírito de oração, que o praticista faz para si mesmo, ainda antes de receber um chamado pedindo ajuda, estabelece no pensamento o fato de que a atividade sanadora tem a ver com Deus e Seu relacionamento com o homem e isso inclui, com base no que Jesus disse, a ideia de que somente aqueles que estão genuinamente buscando a Deus virão em busca de cura. O discernimento espiritual, da parte do praticista, pode perceber se a pessoa que liga é sincera ao pedir tratamento pela Ciência Cristã. Caso alguém sinta que um caso não deva ser aceito, essa intuição deve ser respeitada. Essa questão é inteiramente diferente daquela em que se tem sentimento de incapacidade sobre um caso, questão essa que foi abordada na página anterior. A sabedoria é a chave, conforme indica o Manual. Cultivar a habilidade de ouvir a voz de Deus, confiando em Sua vontade e sabedoria, e não na nossa própria, ouvindo e seguindo Sua orientação, é primordial na prática da Ciência Cristã. É essa orientação que mantém tanto o praticista como o paciente em segurança, em Seu cuidado, e não à mercê da especulação humana.
Uma questão que deve ser considerada, por exemplo, é a disponibilidade. Quando o caso é o de uma criança que necessita de tratamento pela Ciência Cristã, uma visita domiciliar talvez seja necessária; portanto, se estou em um local distante, eu recomendaria que um praticista local fosse chamado. Se o caso for de natureza aguda e necessitar de maior atenção e mais comunicação do que o normal, e eu não estou prontamente disponível ou ao alcance do paciente (por qualquer razão), eu não aceitaria o caso e recomendaria que outro praticista fosse contatado.
Outras questões talvez possam ser consideradas: Está a pessoa em busca de cura ou em busca de alguém para conversar? Já há outro praticista tratando do caso? Está o paciente recebendo cuidados médicos? E assim por diante. Em outras palavras, qual é o motivo real por trás do chamado? Será que isso significa que devamos suspeitar de cada chamado? Não! Não atendemos ao chamado com a suspeita em mente! O praticista sabe, em todas as ocasiões, que “na Ciência, só o Amor divino governa o homem...” (Manual, p. 40), e isso é verdade tanto para o praticista como para o paciente. Um sanador da Ciência Cristã é alguém que está em busca da Verdade e é nessa busca que ele aprende o que Jesus queria dizer, quando afirmou: “sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10:16). Estar na prática não significa sair investigando a fim de detectar o erro, mas se trata sempre de procurar a verdade em cada caso e confiar em Deus para revelá-la.
Não precisamos sentir-nos culpados por recusar um caso. Se alguém sente que não pode aceitar um caso, isso não significa que a pessoa que chamou esteja sendo rejeitada ou abandonada, pelo contrário, é obrigação do praticista saber, em espírito de oração, que a pessoa será guiada ao lugar correto para que suas necessidades específicas sejam satisfeitas. Naturalmente, essa orientação só pode vir de Deus, é assunto dEle e Ele proverá a melhor resposta possível.
Suponhamos que um praticista aceite um caso, apesar de sentir que não deveria. Mesmo assim, o Amor divino está guiando e o caso pode se tornar uma experiência de aprendizado muito valiosa, que ajudará a tomar decisões futuras. Nenhum trabalho em prol da Verdade pode ser inútil, mas, sim, sempre edificante, consolador, inspirador e sanador porque, como Ciência e Saúde declara: “A Verdade é sempre a vencedora” (p. 380).
OLGA CHAFFEE, SAN DIEGO, CALIFORNIA, EUA
E se alguém que eu estou ajudando pela oração, decide procurar um diagnóstico médico?
Essa questão surge de tempos em tempos, porque muitas pessoas que pedem tratamento pela Ciência Cristã, talvez não compreendam a enorme diferença entre o tratamento por meio da oração na Ciência Crista e qualquer outra forma de tratamento, inclusive o tratamento médico. Quando um paciente que está sob os cuidados de um praticista expressa o desejo de procurar um diagnóstico médico, muito frequentemente é para descobrir a causa do problema. Usualmente explico que um diagnóstico médico não colabora com a confiança na oração para a cura. Deve ser enfatizado que o paciente tem sempre a liberdade de fazer aquilo que acredite seja de seu melhor interesse, inclusive tem a liberdade de optar pela assistência médica. Entretanto, aplicar a Ciência Cristã em um caso é dar ênfase à mentalidade do paciente, não ao físico. Quando isso é compreendido, o paciente frequentemente percebe que não há nenhuma necessidade de um diagnóstico médico.
Seria útil explicar ao paciente que usualmente a maneira pela qual a mente humana percebe as coisas é através dos sentidos materiais. O problema com esses sentidos é que, no caso de uma doença em particular, eles primeiro nos fazem olhar para os efeitos físicos e em seguida nos fazem tentar determinar a causa. De modo semelhante, o modelo médico começa com aquilo que os sentidos materiais relatam e em seguida tentam diagnosticar a causa física, a fim de tratar uma doença com drogas ou cirurgia. Em resumo, o modelo médico começa olhando para um efeito e então tenta determinar sua causa a fim de prescrever a cura.
Por outro lado, o modelo para o tratamento pela Ciência Cristã não reconhece nenhuma autoridade ao que os sentidos materiais relatam e usa o senso espiritual, que a Bíblia declara nos é revelado por Deus: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito” (1 Coríntios 2:9).
Por exercer esse senso dado por Deus, o qual cada um possui como filho dEle, o modelo espiritual começa do ponto de vista exatamente oposto ao do modelo médico; começa com a causa divina de todas as coisas, ao invés de partir dos efeitos físicos — com a afirmação de que Deus é a única Causa de tudo o que realmente existe e com o fato de que tudo que Ele faz é bom. Ciência e Saúde ensina: “Na Ciência da Mente raciocinamos partindo da causa para lhe achar o efeito e começamos com a Mente, a qual tem de ser compreendida através da ideia que a exprime e que não pode ser percebida através de seu oposto, a matéria” (p. 467). Esse raciocínio capacita tanto o paciente como o praticista a discernir a falsidade da evidência material desarmoniosa. Como a Bíblia ensina: “Acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” (Tiago 3:11).
Uma das declarações mais claras que revela o abismo existente entre o modelo médico e o modelo do tratamento pela Ciência Cristã, talvez seja o padrão cristãmente científico que fundamentava a oração de Jesus: “A natureza divina expressou-se melhor em Cristo Jesus, o qual projetou sobre os mortais o reflexo mais verdadeiro de Deus e elevou suas vidas a um nível mais alto do que lhes permitiam seus pobres modelos de pensamentos — pensamentos que apresentavam o homem como decaído, doente, pecador e moribundo. A compreensão crística acerca do ser científico e da cura divina inclui um Princípio perfeito e uma ideia perfeita — Deus perfeito e homem perfeito — como base do pensamento e da demonstração” (Ciência e Saúde, p. 259).
À medida que essa diferença fundamental entre os dois modelos de tratamento for reconhecida pelo paciente, ficará cada vez mais claro que o tratamento pela Ciência Cristã não é uma ferramenta para consertar um problema real em um corpo físico. Em vez disso, ela é o meio através do qual o pensamento é elevado a uma perspectiva espiritual mais alta a respeito do que Deus é e do que Ele está fazendo e a respeito daquilo que sempre foi verdadeiro acerca do homem como a própria expressão do ser de Deus, eternamente mantido na perfeição na qual Ele o criou. É o reconhecimento dessa verdade maravilhosa que age sobre as crenças de doença e enfermidade e as remove completamente da experiência do paciente, sem jamais precisar de um diagnóstico médico para descobrir o que realmente nunca existiu.
KARL (SANDY) SANDBERG, NORWELL, MASSACHUSETTS, EUA
Como faço para desmascarar acertadamente o erro que precisa ser vencido no pensamento do paciente, sem tentar diagnosticar psicologicamente o paciente?
No tratamento pela Ciência Cristã, o praticista não está humanamente procurando descobrir o que está errado na mente do paciente. Em outras palavras, no tratamento não há uma mente humana tentando descobrir o que está errado em outra mente humana. Ao invés disso, o praticista está se volvendo a Deus, a Mente divina única, para que sejam revelados quais os conceitos falsos a serem vencidos no pensamento do paciente. Para desmascarar com precisão qualquer pensamento errôneo que esteja mantendo o paciente em servidão ao pecado, à doença ou à discórdia de qualquer espécie, eu me afasto completamente do senso de que tenho uma mente humana própria, e busco a Mente una e única. Deixo que a luz da Verdade e do Amor divino, Deus, encha minha consciência. Essa luz espiritual pura revela o que é verdadeiro a respeito do paciente e também revela a mim ou ao paciente qualquer erro que esteja no pensamento e que precise ser destruído.
Então, ao invés de fazer do erro uma realidade, o tratamento da Ciência Cristã conecta o paciente à sua bondade, inocência e inteireza inatas por ser ele a expressão do ser de Deus — conecta-o à sua natureza crística. Além disso, eu nego que o erro faça parte de sua identidade ou de sua história.
Em última análise, a intenção do praticista é sempre a de por a descoberto o nada e a falta de poder de todas as crenças pecaminosas ou doentias e, dessa maneira, elas são destruídas no pensamento do paciente. Restaura-se então o pensamento natural correto do paciente a respeito de si mesmo.
Mary Baker Eddy usou o termo “Ciência da psicologia”, ao referir-se à necessidade de por o erro a descoberto por meio desse método inteiramente espiritual (Miscellaneous Writings 1883-1896 [Escritos Diversos], p. 3). O que talvez esteja se escondendo no pensamento seja uma falta de confiança no poder sanador de Deus ou um senso de separação do amor de Deus.
Darei um exemplo de como essa Ciência da psicologia funciona. Uma senhora ligou, pedindo tratamento pela Ciência Cristã porque estava com muita dor, depressão e insônia. Em minha oração, senti que algo por trás desses problemas precisava ser posto a descoberto e que Deus poderia nos revelar o que precisávamos saber para trazer a cura. Na chamada seguinte, ela me contou que bebia cerveja para se livrar da solidão e que não se sentia digna. Conversamos sobre seu valor real como a amada filha de Deus. Pouco tempo depois, ela parou de beber cerveja e outras dependências errôneas também desapareceram. Ela começou a se sentir grata até mesmo por pequenas coisas e começou a desfrutar a vida de novo. Ficou completamente curada de todos os seus males e não mais se identificou como uma mortal doente e pecaminosa, mas se reconheceu como expressão sadia e satisfeita da Mente, o Amor divino.
Não existe alegria maior do que se afastar, cada vez mais, de um senso mortal a respeito de sua própria identidade ou da de outra pessoa — esse senso humano de vida que aceita uma história de traumas e fracassos — para descobrir a própria identidade espiritual verdadeira, e a dos outros, como a expressão sempre pura e inocente de Deus. Seu amor cada vez mais profundo por Deus e pelo homem (sendo esse o termo genérico para todos os filhos de Deus) — e sua compreensão cada vez maior da natureza inteiramente perfeita de Deus e do homem — manterão você muito bem no caminho da genuína cura pela Ciência Cristã.
GISELA MANGER, MUNICH, ALEMANHA
Poderia me dar alguma orientação quanto à comunicação por telefone e por e-mail entre paciente e praticista?
As pessoas contatam os praticistas da Ciência Cristã com uma vasta gama de necessidades. Elas possuem os mais diversos tipos de formaçao e representam todos os níveis de compreensão e desenvolvimento espiritual. Saber o quê e o quanto dizer a um paciente e como dizê-lo, é uma habilidade que se desenvolve com a prática, e não importa a quanto tempo alguém esteja na prática. Penso nos versos que iniciam um poema de A. E. Hamilton e que Mary Baker Eddy citou em seu livro Retrospecção e Introspecção: “Pede a Deus que te dê habilidade, / Na arte de consolar” (p. 95).
É um relacionamento tão sagrado — o relacionamento entre praticista e paciente — porque seu propósito é trazer cura por meio da compreensão, em espírito de oração, da sagrada relação do paciente com Deus, como filho amado. Portanto, a questão toda da comunicação entre o praticista e o paciente deve ser abordada com amor e cultivada em oração. Qualquer comunicação que houver entre eles, é a Palavra de Deus viva, o Amor divino, que precisa ser ouvida acima de tudo, porque o Amor é o sanador.
Tudo que é comunicado precisa ser fiel ao espírito e à letra da Ciência Cristã. Dentro dessa estrutura básica, existem orientações práticas a considerar. Tanto o praticista, como o paciente, devem manter em sigilo e confidencial o trabalho que fazem em conjunto. Nesse aspecto, por exemplo, o telefone do praticista deve ser para seu uso exclusivo. Além disso, ambas as partes devem estar alerta para o fato de que o e-mail apresenta problemas de privacidade — mensagens de e-mail podem ser redirecionadas e impressas e, dessa forma, podem ser vistas por outros. Naturalmente, o correio eletrônico e especialmente os telefones celulares proporcionam liberdade de movimento aos praticistas, tornando-os mais fácil e prontamente acessíveis aos pacientes do que jamais o foram. Contudo, devido a isso, os praticistas devem ser ainda mais vigilantes para monitorar a frequência, a natureza e a duração dos contatos entre paciente e praticista, para se assegurar de que eles reflitam a orientação espiritual e dependência em Deus, ao invés de dependência em uma pessoa. Conselhos pessoais não devem ser nem buscados nem dados; o praticista deve saber e dizer que o paciente tem a capacidade dada por Deus de tomar suas próprias decisões sábias. Além disso, todas as comunicações devem visar a abençoar toda a família humana, e isso inclui nunca permitir que as conversas se transformem em arena para fofocas, críticas ou condenação dos outros, mas somente para a cura.
Um exame das Escrituras, a respeito das notáveis curas realizadas por Cristo Jesus, revela que pouquíssimas palavras eram ditas entre Jesus e aqueles que vinham a ele em busca de cura. O mesmo é verdade em muitas curas efetuadas por meio das orações de Mary Baker Eddy. Em sua obra principal sobre a cura cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, ela salienta a importância de ouvir, como uma das principais normas de comunicação para o praticista. Ela diz: “A Verdade infinita da cura-pelo-Cristo veio a esta época através de um ‘cicio tranquilo e suave’, através de expressões silenciosas e de unção divina, que vivificam e aumentam os efeitos benéficos do cristianismo. Anseio por ver realizadas minhas esperanças, ou seja, as conquistas mais elevadas do discípulo nesse rumo da luz” (p. 367).
Realmente, quaisquer que sejam as palavras ditas entre o paciente e o praticista (quer pessoalmente ou por telefone, e-mail ou outros meios), os resultados mais eficazes são alcançados quando a Palavra de Deus está no banco da frente e atrás do volante, nos pensamentos e nas palavras do praticista — tal como diz a Bíblia: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” (Salmo 19:14).
O principal dever do praticista é o de orar de acordo com aquilo que a Bíblia e Ciência e Saúde ensinam sobre a realidade e a totalidade de Deus, Espírito, e a irrealidade de tudo que seja dessemelhante de Deus. Jesus aconselhou: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mateus 5:37). É vital dizer mentalmente: “Sim” (concordar) unicamente à perfeição de Deus e Sua criação espiritual e dizer “Não” (discordar) a toda sugestão de imperfeição. Orar dessa maneira reforça a capacidade do praticista para discernir a necessidade do paciente, para ouvir poderosas ideias sanadoras surpreendentemente novas, e para responder com compaixão e cura.
BARBARA VINING, PERRYSBURG, OHIO, EUA
Como inicio na prática: devo publicar um anúncio; conto às pessoas que estou empenhado nisso; ofereço meus serviços, etc?
Nosso melhor anúncio é o amor que temos pelos outros — e deveríamos “vesti-lo” como se fosse uma placa do tipo sanduíche, para que todos possam vê-lo. Estamos falando aqui de simplesmente deixar nossa luz brilhar. Logo no começo do Sermão do Monte, Jesus ordena: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:16). Exatamente aí, na mais total simplicidade, temos o quadro todo: a luz que estamos deixando brilhar é o Cristo — o amor de Deus pelo homem — expressado em nosso ser e em nossa ação.
Portanto, não precisamos ficar hesitantes, tímidos, inibidos ou envergonhados. Pelo contrário, o trabalho de um praticista da Ciência Cristã é a atividade mais excitante no mundo. Não tem nada a ver com “nossa” glória, mas tudo a ver com a glória do nosso Pai no céu. Mary Baker Eddy descreve o Cristo como: “a ideia verdadeira que proclama o bem, a mensagem divina de Deus aos homens, a qual fala à consciência humana” (Ciência e Saúde, p. 332). Essa é a luz do Cristo que deixamos brilhar.
Como fazemos isso? Amamos, oramos e, intrepidamente, anunciamos.
Amar: A coisa mais importante para começar na prática é compreender que você já é de verdade um praticista da Ciência Cristã. Isso significa ser um verdadeiro cristão. Isso significa amar os outros.
Você começa na prática praticando a atitude cristã, no sentido de aprender “a restaurar os quebrantados de coração”, como Ciência e Saúde diz, logo no início do capítulo sobre “A Prática da Ciência Cristã”. Quando estamos colocando naturalmente em prática a “palavra de ternura e o encorajamento cristão dados a um doente, a paciência compassiva para com seus temores e o afastamento destes” estamos praticando o cristianismo (pp. 366, 367).
Sim, compreender a lógica da Ciência do Cristo é crucial, mas, honestamente, o cristianismo mencionado acima é igualmente essencial. Os dois precisam caminhar juntos e, quando o fazem, começar na prática acontece de forma natural.
Orar: Aqui, para mim, a necessidade é reconhecer o poder penetrante da luz do Cristo — bem como reconhecer que o preconceito ou indiferença não têm poder para obscurecer ou anular essa luz. É a luz que destrói as trevas e não o contrário.
Anunciar: Uma definição do dicionário é: “anunciar ou chamar a atenção para um produto ou serviço”. Isso é exatamente o que nós, como praticistas, estamos fazendo. Podemos fazer isso em uma variedade infinita de maneiras. Mary Baker Eddy, em sua época, usava alguns dos meios respeitados daquele tempo: um deles foi a publicação de testemunhos daqueles a quem ela havia curado.
No mundo de hoje, os meios para deixar brilhar sua luz de praticista da Ciência Cristã são infinitos — literalmente. Eles vão desde o velho e fora de moda grito nos telhados, ou as Páginas Amarelas, até a moderna Internet, ou montar um estande em um estacionamento no centro da cidade (como faz a Lucy na tirinha do Snoopy que aparece em muitos jornais).
Não se preocupe com os meios. A chave está em nossa confiança na presença e na ação do Cristo. Afinal, não é essa a luz que queremos que brilhe “diante dos homens, para que vejam as [nossas] boas obras e glorifiquem a [nosso] Pai que está nos céus”? Não temos de acender a luz: ela está acesa o tempo todo. Contudo, temos realmente de nos conscientizar de que seja essa a luz que brilha (não nosso próprio ego).
Aliás, a visibilidade dessa luz do Cristo torna-se maior para os outros na proporção em que diminui a luz de um ego próprio (ou a crença de que tenhamos um ego próprio).
Em minha própria experiência, depois de muitos anos lecionando, dei-me conta de que passava mais tempo no escritório da universidade falando sobre o Cristo do que falando da matéria que era pago para ensinar. Ademais, amava fazer isso. Portanto, apesar dos planos cuidadosamente esboçados para minha carreira profissional, decidi aventurar-me em uma experiência e passar meus sábados orando, em um escritório de praticistas localizado no centro da cidade. O edifício, como a maioria naquela parte do centro da cidade, ficava vazio aos sábados. Para mim estava bem, uma vez que desejava testar essa teoria sobre a luz do Cristo.
Os primeiros seis sábados, minha prática consistiu em tratar, em espírito de oração, os problemas descritos no jornal que eu lera no ônibus a caminho do escritório. No sétimo sábado, um homem entrou, explicando que ele não sabia nada sobre a Ciência Cristã, nem mesmo sabia o que o havia levado àquele lugar, mas tinha um problema. Consegui curá-lo por meio da Ciência Cristã — e compreendi que esse teste da luz do Cristo tinha dado resultado.
Para cada praticista iniciante será diferente. Contudo, nossa consciência individual de que somos como um refletor brilhante daquela luz, daquele amor, que está sempre brilhando, permite que escolhamos os meios que sejam os melhores no momento, para refletirmos.
JOHN TYLER, PITTSBURGH, PENNSYLVANIA, EUA
Amo a Ciência Cristã e amo a ideia de orar pelas outras pessoas. Contudo, o que está me impedindo é apenas achar que não saberei dizer as palavras certas aos pacientes. Quão importantes são as palavras específicas a serem ditas às pessoas?
Embora o terno amor de um Cientista Cristão pelo paciente possa talvez ser demonstrado por uma expressão verbal de ideias encorajadoras, não são realmente as palavras em si que curam. São as mensagens crísticas concedidas por Deus ao praticista e ao paciente, que verdadeiramente trazem consolo. O Cristo é o trampolim para a transformação do pensamento que, dessa maneira, cura. Algumas vezes, tenho achado útil pensar no Cristo como sendo a voz de Deus. “Cristo é a ideia verdadeira que proclama o bem, a mensagem divina de Deus aos homens, a qual fala à consciência humana” explicou Mary Baker Eddy em Ciência e Saúde (p. 332).
É a “mensagem divina” que proporciona à prática pública da Ciência Cristã sua substância e fundamento. Jamais, em minha experiência, alguém obteve a cura pela minha conversa. Caso após caso, descobri que a oração eficaz realmente não acontece até que eu me calo e ouço a Deus falando comigo e me guiando rumo ao que devo pensar sobre o paciente.
Quando comecei na prática pública — acho que ainda não estava me anunciando no Journal — um dia uma pessoa muito agradável pediu que eu orasse por ela. Enquanto ela descrevia sua doença, em muitos detalhes, fiquei silenciosamente inspirado por algo que ouvira a Deus dizer em meu coração a respeito dela. Quando ela acabou de falar, expliquei exatamente o que havia ouvido de Deus. “Tudo bem”, respondeu ela, sem muita esperança na voz.
No dia seguinte, ela novamente pediu ajuda, dizendo que não melhorara. Com mais paciência, expliquei de novo aquele mesmo ponto metafísico que eu sabia ser a chave para solucionar o caso. Um dia depois, ela me disse que estava pior. Desta vez, em antecipação à sua chamada, eu havia preparado exatamente o que dizer a ela. Explanei, usando exemplos coloridos e ilustrações muito vívidas, a ideia inspirada que podia ajudá-la. No dia seguinte, ela me informou que não queria trabalhar mais comigo.
Entretanto, encontrei-a algumas semanas mais tarde e ela estava exuberante! “Acabei de ser curada”, exclamou ela e então passou a descrever uma compreensão surpreendente que tivera — uma ideia que havia ocorrido a ela e que era exatamente o ponto que eu havia tentado explicar-lhe o tempo todo. Naturalmente, não falei: “Eu lhe disse”. Simplesmente alegrei-me com ela. Ela não estivera me ouvindo quando lhe explicava cuidadosamente aquele conceito — de fato, ela parecera indiferente — ainda assim, a ideia crística de que ela precisava havia penetrado e eliminado seus temores.
Compreendi, humildemente, que fora minha oração e não algumas palavras vibrantes, que ela realmente estivera procurando. Inicialmente, a essência espiritual daquilo que eu havia compartilhado com ela ficara um pouco perdida nas palavras. O sentimento profundo do poder de Deus, subjacente a uma ideia inspirada, é o ponto capital da oração. “Os efeitos da Ciência Cristã se fazem sentir, mais do que ver”, declara Ciência e Saúde. “É o ‘cicio tranquilo e suave’ da Verdade, a expressar-se. Ou bem estamos nos afastando dessa voz, ou lhe estamos dando ouvidos e nos elevando mais alto” (p. 323).
Suponha que você esteja em uma sala fria com algumas outras pessoas. Você poderia, se quisesse, caminhar até a lareira e acender o fogo. Você se aqueceria, mas também receberiam calor todos os outros que estivessem na sala. A oração atua da mesma maneira. Quando a inspiração crística aquece você, todos no seu mundo a sentem também.
Entretanto, se você simplesmente caminhasse pela sala fria e apenas dissesse às pessoas: “O fogo aquece. Vocês sabem, o fogo aquece”, ninguém sentiria nenhum calor. Não adiantaria bater os pés e declarar em voz alta para todos que o fogo aquece! Somente um fogo de verdade poderia aquecer as coisas. Quando oramos, o calor sanador vem por meio da inspiração do Cristo. A inspiração é a resposta da sabedoria ao nosso pedido: “Mostra, Pastor, como andar” (Mary Baker Eddy, Hinário da Ciência Cristã, Nº 304). Sentimos o amor em nosso coração, juntamente com cada conceito inspirado específico com que Deus nos abençoa. Quando estamos silenciosamente receptivos e ouvimos a resposta de Deus ao nosso pedido de ajuda, recebemos a revelação de uma nova perspectiva da nossa própria identidade espiritual perfeita e verdadeira, como também da de outras pessoas.
Descobri que ouvir, mas deixar de agir de acordo com o que Deus me diz, não é oração, nem um pouco. É ouvindo e seguindo a inspiração divina que faz o cristão. Nunca teria conseguido transcender os temores e as ilusões da mortalidade que os acompanham, ilusões essas vistas como doença, limitação, pecado e morte, sem o cuidado de por em prática o que ouvira de Deus. Talvez possamos fazer eco à verdade, falando a torto e direito. Contudo, não estamos verdadeiramente orando até que a inspiração crística consiga um lugar em nosso pensamento e deixemos que ela transforme permanentemente nossa perspectiva e nossas ações.
Sim, certamente, é bom encorajar e animar nossos semelhantes, homens e mulheres, mas a simples e velha conversa não liberta uma pessoa da doença, assim como palavras humanamente proferidas não poderiam derreter uma geleira. A Ciência Cristã não é um sistema de cura por meio de palavras; somente o poder e as comunicações de Deus são os elementos que curam. Compreender isso tem sido de grande ajuda para que eu não seja tentado a substituir por meras palavras humanas, algo tão maravilhoso como aquilo que pode ser ouvido de Deus. “Bramam nações, reinos se abalam; ele faz ouvir a sua voz, e a terra se dissolve” (Salmo 46:6).
MARK SWINNEY, ALBUQUERQUE, NEW MEXICO, EUA
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