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O poder purificador do espírito

A ideia central na Lição Bíblica da Ciência Cristã na semana que vai de 4 a 10 de janeiro, intitulada “O Sacramento”, está resumida no título marginal à página 337 de Ciência e Saúde, o qual acompanha uma das citações: “Pureza, a vereda da perfeição” (citação 6). A cura de Naamã em 2 Reis indica essa vereda na Leitura Alternada. O discernimento corajoso do profeta Eliseu a respeito da necessidade espiritual do general sírio leva à restauração. Naamã “mergulhou no Jordão sete vezes” (2 Reis 5:14) em completa submissão a Deus e foi curado.

O Batismo e a Eucaristia, ou santa comunhão, são os dois sacramentos reconhecidos pela maioria das igrejas protestantes. As Seções II e IV concentram o foco no significado espiritual desses sacramentos na Ciência Cristã. A Lição revela que o sacramento é na verdade o poder depurador e purificador de Deus em nossa vida.

A Bíblia frequentemente faz a conexão da água com a purificação, como em Ezequiel: “Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados;... Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo...” (Ezequiel 36:25,26, citação 2). Esse “espírito novo” está ilustrado por uma conversa entre João Batista e seus seguidores em Enom (lugar cujo nome significa “Cheio de fontes de água”). Eles relatam que Jesus e seus discípulos os estão suplantando: “...[Jesus] está batizando, e todos lhe saem ao encontro” (João 3:26, citação 6). João Batista gentilmente confirma a autenticidade do novo mestre: “... Deus não concede o Espírito por medida sobre ele” (João 3:34, conforme a versão bíblica King James, citação 6). Ciência e Saúde enfatiza a necessidade premente de meios e métodos espirituais de progresso e seus resultados abrangentes: “A necessidade de elevar a raça é a razão de a Mente poder elevá-la; porque a Mente pode transmitir pureza, e não impureza, força e não fraqueza, saúde e não moléstia. A Verdade é um alterante que penetra o organismo inteiro, e pode torná-lo ‘de todo sadio’ ” (p. 371, citação 3).

Na Seção III, o poder purificador de Deus, o Espírito, em nossa vida é expresso por Maria, uma das irmãs de Lázaro (citação 8). Ela unge os pés de Jesus com um precioso unguento, tão aromático que toda a casa fica impregnada pela fragrância e, em seguida, enxuga o excesso com seus abundantes cabelos, um ato de profunda humildade. Sua gratidão e amor sincero motivam seus atos. Espectadores vieram observar a ceia, uma vez que quando um convidado de honra era homenageado, isso se constituía em um acontecimento público. Sim, eles estavam interessados em Jesus, mas também em ver a Lázaro, cheio de saúde, um sinal visível do poder de Deus. Ele e sua irmã demonstram a injunção do Texto Áureo: “Torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4:12).

Em Jerusalém, a alegre multidão que vai ao encontro de Jesus desdobra a silenciosa abnegação de Maria. Eles agitam palmas, símbolos de vitória e clamam: “Hosana”, derivado de uma palavra hebraica que pode ser traduzida como: “Salva-nos!” ou “Salva-nos agora!”, como no Salmo 118:25, conforme a versão bíblica King James.

Ciência e Saúde explica a etimologia da palavra sacramento (citação 19) em um trecho ampliado do capítulo “Reconciliação e Eucaristia”. Esta Seção da Lição foca a Última Ceia, que acontece na véspera da condenação e crucificação de Jesus (citação 11). O versículo 14 em João 19 (citação 12) refere-se ao encontro do Cristo com o governador romano Pilatos sendo concluído durante “a preparação da Páscoa... cerca da hora sexta”, ou seja, aproximadamente seis horas da manhã do dia anterior à Páscoa.

Dois encontros bem diferentes logo pela manhã, bem cedo, esclarecem o propósito daquele dia trágico, o de transformar o mundo por meio do poder purificador do Espírito. Mateus descreve o momento: “ao entrar o primeiro dia da semana” três dias mais tarde (ver Mateus 28:1, conforme a versão bíblica King James, citação 14) quando duas seguidoras de Jesus, ambas de nome Maria, se defrontam com um sepulcro vazio e compreendem que Jesus ressuscitou dos mortos. No outro, em um dia não especificado, junto ao mar de Tiberíades (um outro nome para o Mar da Galileia), Jesus compartilha uma refeição simples com seus discípulos. Ciência e Saúde faz um contraste entre esse desjejum e a Última Ceia e enfatiza a pungência dessa refeição matinal para os Cientistas Cristãos: “Inclinam-se perante o Cristo, a Verdade, para receber mais da sua reaparição e comungar silenciosamente com o Princípio divino, o Amor” (p. 35, citação 24). Todos nós podemos aceitar uma compreensão mais clara sobre o Espírito e ser purificados por ela.

O relato da ascensão em Atos, o qual segue a história da refeição matinal, é dirigida a Teófilo (Atos 1:1, citação 16), cujo nome significa “amado por Deus”, um título que pertence também a cada leitor, inclusive você!

O propósito do Cristo de “...remir-nos de toda iniquidade e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tito 2:14) talvez possa ser visto como um comando para todos nós marcharmos ao longo da vereda, rumo à perfeição.

Michael Hamilton ensina religião na Faculdade de Principia, em Elsah, Illinois, EUA.

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