As ternas misericórdias do Amor para todos
Brian Hall
Ao ouvir a frase "amor cristão", a maioria das pessoas provavelmente não pensa no Apóstolo Paulo. Entretanto, a Lição Bíblica da Ciência Cristã da semana que vai do dia 25 a 31 de janeiro, intitulada "Amor", faz uma breve análise de sua vida e de alguns de seus escritos, que destacam ensinamentos importantes a respeito desse tema.
Essa Lição nos faz lembrar desde o começo que o amor de Deus é para todos. O Texto Áureo diz: “O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras” (Salmo 145:9). Uma percepção mais profunda dessa passagem é obtida por meio de outro nome para Deus, encontrado em Ciência e Saúde: "Pai-Mãe é o nome da Divindade, o que indica o terno parentesco dEle com Sua criação espiritual" (p. 332, citação 3). Descobrimos que existe um relacionamento amoroso entre o Criador e a criação. Tal como cada pai ou mãe ama a todos os seus filhos, também nosso Progenitor divino ama a todos nós.
Na Seção I, Jeremias ecoa este aspecto de parentesco nas palavras de Deus dirigidas a ele: “De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3, citação 2). Jeremias passou tempos difíceis na história de Israel, e Deus assegura a ele que, a despeito do que parece acontecer ao redor dele, Deus sempre o amou e sempre o amará. A palavra hebraica mashak, traduzida como “atrair” nesse versículo, tem vários outros significados nas Escrituras hebraicas, um dos quais é “desenvolver”. Essa ideia lança nova luz sobre o versículo, na medida em que aponta para o poder transformador do Amor, o de que o Amor está nos desenvolvendo por meio de Suas ternas misericórdias.
Percebemos o poder que o Amor tem de transformar e desenvolver vidas na história de Paulo, tratada nas cinco seções seguintes desta Lição. Ouvimos falar pela primeira vez de Paulo (então chamado de Saulo) como um perseguidor fanático dos seguidores de Jesus. Ele os persegue e manda-os para a prisão. Alguns estudiosos, como Robert W. Wall, acreditam que Saulo simboliza a perseguição histórica aos primeiros cristãos daquela época (ver The New Interpreter’s Bible, [A Nova Bíblia do Intérprete], Vol. 10, p. 131). As ações de Saulo representam todos aqueles que eram de opinião de que esses seguidores haviam se desviado demais do Judaísmo e precisavam ser reprimidos. Durante essa ocasião porém, Saulo passa por uma experiência dramática na estrada para Damasco, a qual muda o curso de sua vida (como também seu nome).
Paulo nos dá uma pista para o que aconteceu naquela estrada, quando escreve mais tarde para as igrejas em Roma, dizendo que a transformação vem da renovação da mente (ver Romanos 12:2, citação 8).
Portanto, Paulo passa por uma mudança de pensamento. Ele tem de abandonar sua própria vontade. Ciência e Saúde declara: "A vontade — cega, obstinada e impetuosa — coopera com os apetites e as paixões. Dessa cooperação provém o mal que ela encerra" (p. 490, citação 10). Entretanto, o fato é que "nenhum poder pode resistir ao Amor divino" (Ciência e Saúde, p. 224, citação 9). Essa verdade esclarece o que deve ter induzido a transformação de Paulo.
Depois dessa experiência transformadora de vida, as ternas misericórdias de Deus mantêm Paulo livre de danos em tempos de perseguição (ver Atos 9:19-25, citação 13). Paulo continua a levar a mensagem do Evangelho às pessoas por toda a Ásia Menor e Grécia, desenvolvendo comunidades cristãs em cidades como Corinto e Galácia. Com terno amor, ele nutre o crescimento dessas comunidades. Além de ser um grande escritor, professor e líder, Paulo é também sanador. O aspecto sanador de seu ministério é trazido à luz na Seção V.
Em sua carta aos Coríntios, Paulo descreve um dos princípios sanadores que ele compreendeu sobre Deus: “Bendito seja o Deus... de toda consolação! É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” (2 Coríntios 1:3, 4, citação 17).
Paulo coloca esse amor consolador em prática na cura do pai de Públio, a qual se encontra no capítulo 28 do livro de Atos (ver citação 16). Depois de sobreviver a um naufrágio, estando na ilha de Malta, Paulo e os que estavam com ele são acolhidos por Públio, o chefe da ilha. Paulo logo fica sabendo que o pai de Públio está doente com o que hoje é chamado de disenteria. Paulo ora, impõe-lhe as mãos e o pai de Públio é curado. Referindo-se aos Cientistas Cristãos, Mary Baker Eddy explicou: "Se o Cientista alcançar seu paciente pelo Amor divino, a obra da cura se realizará numa só visita, e a moléstia se desvanecerá, voltando ao seu nada inicial, como o orvalho sob o sol da manhã" (Ciência e Saúde, p. 365, citação 28).
A Lição desta semana nos inspira a confiar no poder do Amor divino de transformar, proteger e curar nossa vida. O terno amor de Deus por nós está aqui agora e nunca muda, ou, como Paulo diz: “O amor jamais falha” (1 Coríntios 13:8, conforme a New International Version [A Nova Versão Internacional da Bíblia], ver citação 21).
Brian Hall está no programa de treinamento da capelania militar de A Igreja Mãe e estuda teologia na Universidade de Boston.



