Viver a palavra inspirada
Genelle Austin-Lett
"Como adeptos da Verdade, tomamos a Palavra inspirada da Bíblia como nosso guia suficiente para a Vida eterna". Essa declaração de Mary Baker Eddy serve de fundamento para a Lição Bíblica da Ciência Cristã desta semana, intitulada "Vida" (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 497, citação 2).
Outra linha de apoio é o tema “pão”. Acaso o pão da vida é constituído de alimento e dinheiro? Ou seria a Palavra de Deus, o Cristo, a Verdade, o que nos dá vida, nos corrige e nos ensina a maneira de viver (ver 2 Timóteo 3:16, citação 1)? A Lição aponta para uma dicotomia impressionante a respeito de como a vida é percebida.
A partir do Texto Áureo até a 6ª. seção, aprendemos que a Bíblia nos alimenta e nos sustenta: "Não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem" (Deuteronômio 8:3, Texto Áureo). Esse versículo foi a defesa de Jesus contra o diabo, quando este o tentou a transformar as pedras em pão. Jesus se apoiava nas Escrituras para sobreviver.
A Lição desta semana estimula o leitor a pesquisar a Bíblia a fim de encontrar respostas para cada aspecto da vida. A Bíblia não é somente nosso "guia suficiente para a Vida eterna", diz Ciência e Saúde, ela é o "mapa náutico da vida" e "contém a receita para toda cura" (p. 497, citação 2; p. 24, citação 4; p. 406, citação 16). O que mais poderíamos desejar?
Cada seção ilustra como um conhecimento da Bíblia dá sustentação à vida. Por exemplo, o escriba Esdras reúne todos os que haviam retornado do exílio na praça em frente à Porta das Águas, que havia sido restaurada em Jerusalém. Existe o indubitável desejo não somente de ouvir a lei de Moisés, mas também de compreendê-la, para não repetir os erros passados. Desde a alva até ao meio-dia, Neemias, Esdras e os levitas explicam cada sentença que leem (ver Neemias 8:8, citação 3). Essas pessoas, ao retornarem do cativeiro da Babilônia, estão empenhadas em fazer da Palavra de Deus seu "mapa náutico da vida".
Aprendemos que esse mapa náutico não depende do tempo ou de “medidas mortais”, mas sim da compreensão espiritual (Ciência e Saúde, p. 595, citação 7). O desejo por mais estudo e oração não está sujeito à disponibilidade de tempo, porque “...a Mente mede o tempo de acordo com o bem que se desdobra” (Ciência e Saúde, p. 584, citação 9).
O tempo não é o único empecilho à compreensão da vida. Frequentemente, as posses materiais ou os afazeres humanos tentam nos impedir de seguir a orientação de Jesus. Em outro exemplo bíblico, um homem rico e de alta posição pergunta a Jesus o que fazer para herdar a vida eterna. O Mestre vai direto à compreensão que o homem tem das Escrituras e como ele vive os "mandamentos que se referem ao próximo". Jesus não inclui os quatro primeiros mandamentos, apenas menciona aqueles que se referem à conduta para com nossos semelhantes. (O mandamento sobre a cobiça talvez tenha sido excluído por se tratar de uma atitude mental que não pode ser observada exteriormente.) O homem responde que ele os tem obedecido desde sua juventude. Entretanto, fica entristecido quando Jesus o convida a vender todas as suas propriedades, dar o dinheiro aos pobres e depois segui-lo, pois o homem era riquíssimo. Naquela época, os judeus consideravam a riqueza como um sinal do favor de Deus, enquanto a pobreza era considerada uma punição pelos pecados. Estaria Jesus indicando que tornar-se um discípulo exigia mais do que apenas obediência aos Dez Mandamentos (ver Lucas 18:18-30, citação 11)?
Que tipo de fé estaria Jesus exigindo? Talvez o abandono de toda preocupação com a materialidade? Ou seria esse um chamado para que reexaminemos nossas prioridades? As palavras de Jesus sugerem que é necessaria uma disposição muito profunda de abandonar a matéria como base de segurança e confiar em Deus como a fonte de suprimento para todos os aspectos da vida, inclusive a cura.
Ciência e Saúde não diz que a Bíblia contém a receita apenas para algumas curas, mas para toda cura (citação 16). A cura da insanidade e da morte não pode ser descartada como impossível. Jesus falou com autoridade ao homem com um “espírito imundo” (ver Lucas 4:33-36, citação 13). Paulo demonstrou essa mesma autoridade quando ressuscitou Êutico (ver Atos 20:7-12, citação 17). Não seria essa uma indicação do que cada um de nós deve fazer com toda forma de doença, isto é, falar com autoridade?
A 6ª seção nos instrui a ser “a carta” que os outros lerão. Era costume, na época de Paulo, que as pessoas andassem por toda parte com cartas de recomendação nas mãos. Portanto, eles compreenderam quando Paulo lhes disse que a vida deles era uma carta para os outros lerem a respeito de Deus. Paulo faz eco à mensagem de Jeremias a respeito de uma nova aliança a ser escrita em nosso coração (ver Jeremias 31:31, 33). Será que nós também caminhamos com a Palavra de Deus tão profundamente inscrita em nosso coração que as pessoas podem aprender a respeito de Deus? A respeito da Vida? A respeito da Ciência Cristã? Essa dedicação à Palavra vai muito além do culto exterior. Ela se torna quem somos e o que somos.
Compreendemos a Vida por meio do estudo profundo e completo das Escrituras e pela vivência dessa compreensão.
Genelle Austin-Lett é Diretora Executiva da BibleWise.com e Diretora de Conferências e Debates na Universidade Estadual de San José, na Califórnia.



