Christa Kreutz
A Lição Bíblica da Ciência Cristã da semana de 5 a 11 de abril, intitulada: “São reais o pecado, a doença e a morte?”, manda que despertemos do sonho do dualismo, o de que a vida possa ser tanto material como espiritual. Mostra que o sofrimento faz parte desse sonho mortal e que o Cristo está aqui para nos despertar e nos trazer cura e restauração.
O Texto Áureo nos introduz à Lição com este chamado de despertar: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará” (Efésios 5:14). Essa passagem é uma citação daquilo que parece ter sido um hino antigo. Alguns estudiosos presumem que este fragmento de hino remonta à experiência de conversão dos primeiros cristãos (ver “The Letter to the Ephesians” [A Epístola aos Efésios], de Pheme Perkins, The New Interpreter’s Bible [A Nova Bíblia Interpretada], Volume 11, p. 437). O texto indicaria que o Cristo sanador, vindo à experiência deles pela primeira vez, era como um chamado de despertar que os ajudava a compreender a irrealidade do pecado, da doença e da morte.
Algumas vezes, esse chamado de despertar vem primeiro como a necessidade de se reconhecer quem Deus realmente é. Com a compreensão de que não existe nenhum outro poder senão Deus, paramos de reprisar nossos próprios defeitos perceptíveis. Na Seção I, citação 2 da Lição, o Salmista lamenta todos os seus problemas. Ele pecou (Salmos 41:4), está sendo vitimado (v. 5) e talvez possa ter uma doença (v. 8). Ele está triplamente miserável, mas pede ajuda a Deus (v. 10). O profeta Miquéias responde a esse sentimento de desânimo, indicando qual é o papel de Deus em nossa vida: “...ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz” (Miquéias 7:8, citação 4). É como se disséssemos que nem nossos erros nem os erros dos outros, tem qualquer poder na presença de Deus. Ciência e Saúde explica que os erros não têm validade, porque “a história do erro é uma narrativa de sonho” (p. 530, citação 3).
Os Salmos na Seção II nos encorajam a familiarizar-nos mais com a bondade e a verdade de Deus. O Salmista ora: “para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação” (Salmos 67:2, citação 9).
A Seção III chama a atenção para o fato de que o pecado não tem nenhum ponto de apoio na realidade. A Bíblia inclui a história dos fariseus, que estão preocupados pelo fato de os seguidores de Jesus transgredirem a lei por não lavarem as mãos quando comiam pão (Mateus 15:2, citação 12). Jesus torna claro que as coisas materiais não afetam nosso estado moral, pois o pecado está somente no “coração”, ou seja, no pensamento, onde ele pode ser corrigido ou iluminado.
O autor da epístola aos Efésios pede por essa iluminação, chamando o pecado de as “obras infrutíferas das trevas”, que precisam ser reprovadas (ver Efésios 5:11-13). A “Versão Inglesa Contemporânea da Bíblia” traduz o versículo 13 desta maneira: “A luz mostrará com o que essas coisas realmente se parecem”. Na presença da luz, as trevas não existem de modo algum. Essa passagem é um tipo de exortação para que a luz seja aquela influência para o bem, divinamente designada. Ciência e Saúde nos conclama a deixar que “o altruísmo, a bondade, a misericórdia, a justiça, a saúde, a santidade, o amor — o reino dos céus — reinem em nós, e o pecado, a doença e a morte diminuirão até que finalmente desapareçam” (p. 248, citação 14).
A segunda metade da Lição aborda a necessidade de despertar dos sonhos de doença e morte. No início do Evangelho de Marcos, o primeiro Evangelho a ser escrito, encontramos a cura sucinta da sogra de Pedro. Jesus a cura de uma febre e imediatamente ela volta a fazer o que normalmente faz, servir aos outros (ver a citação 16).
Mesmo a morte é um sonho, conforme indicado no Evangelho de João. Embora a história seja sobre a ressurreição de Lázaro (ver João 11, citações 18, 19), ela está amplamente centrada nas conversas de Jesus com as irmãs de Lázaro, Maria e Marta. É devido ao pedido delas por ajuda que Jesus vem. Tanto Marta como Maria tinham fé em Jesus (v. 22, 32), mas quando Jesus diz a Marta que Lázaro há de ressurgir, ela pensa que ele ressuscitará “no último dia”. Muitos judeus acreditavam que haveria um determinado Dia do Senhor em que os fiéis seriam ressuscitados, em espírito, para um reino separado daquele em que viviam. Também, a crença de que houvesse um mundo espiritual e um mundo material era comum. Contudo, quando Jesus ressuscitou a Lázaro, esse evento ajudou a despertar a todos para verem que não havia dois mundos, apenas um, que era espiritual. Ciência e Saúde concorda com esta incompatibilidade entre a matéria e o espírito: “O fato espiritual e a crença material acerca das coisas são contradições; mas o espiritual é verdadeiro e, portanto, o material tem de ser falso. A Vida não está na matéria. Por isso não se pode dizer que deixa a matéria” (p. 289, citação 22).
Como esta Lição nos mostra, ao despertarmos do sonho de vida na matéria, vemos a nós mesmos como realmente somos, ou seja, livres da história humana, do pecado e de sermos vítimas de qualquer tipo de erro.
Christa Kreutz fez mestrado em Estudos Teológicos e mora em Saint Louis, Missouri, EUA.