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Pesquisa - Inspiração - Cura

UMA CONVERSA COM O TESOUREIRO SOBRE AS FINANÇAS DA IGREJA

Durante a Assembleia Anual de 2010, A Igreja Mãe relatou ter em mãos fundos em torno de $450 milhões de dólares, que os gastos do ano passado foram de $102 milhões de dólares e que a Igreja não tem nenhum débito. Em uma conversa recente com o Tesoureiro da Igreja, Ned Odegaard, o redator do JournalWarren Bolon, observou que, embora os membros constatem um panorama financeiro que é consistente com os recentes anos anteriores, alguns talvez possam imaginar que a Igreja esteja muito bem financeiramente e que não necessita de contribuições contínuas. A conversa começou com a pergunta: Qual é o panorama financeiro da Igreja?

Ned Odegaard: A situação financeira atual da Igreja é de estabilidade e robustez, e isso é algo pelo qual somos muito gratos. Acho que as questões subjacentes aqui são: Qual é o nível apropriado de fundos para a Igreja? Está o nível atual além do que é apropriado?

De acordo com minha perspectiva, o nível apropriado de fundos tem a ver com o modelo financeiro básico para a Igreja, e que provavelmente seja similar ao que a maioria de nós enfrenta como pessoa física. Primeiro, necessitamos de receita para satisfazer nosso nível de gastos. Portanto, estamos muito cientes da relação existente entre o que entra e o que sai. Segundo, é óbvio que, se uma quantia maior ou menor está entrando do que saindo, então nosso nível de poupança está aumentando ou diminuindo.

Esses fatores, receita, despesas e o nível de poupança, representam as três pernas que sustentam uma banqueta. Tentamos nos organizar para que a Igreja possa saldar suas obrigações financeiras correntes, de uma maneira muito ordenada. Entretanto, estamos também tentando olhar para frente com sabedoria e identificar da melhor forma as possíveis mudanças na receita que entra, bem como as possíveis mudanças nas despesas da Igreja. Essas mudanças nos gastos podem ser aquelas pelas quais o Conselho de Diretores da Ciência Cristã optar ou podem ser mudanças que, até certo ponto, são ocasionadas por fatores externos. Por exemplo, talvez estejamos sujeitos a impostos adicionais sobre os bens imóveis na cidade de Boston; ou as pessoas e empresas que nos prestam serviços talvez aumentem seus preços, e assim por diante. Então, de novo, o que na verdade é importante, exatamente como na situação individual de uma pessoa, é o quão sustentável seria confiar na poupança para custear as despesas do ano corrente. Um dos princípios básicos na gestão financeira é tentar evitar surpresas que forcem um rearranjo significativo ou, algumas vezes, radical, das nossas atividades atuais, em uma situação de crise imprevisível.

RECEITA E O NÚMERO DE MEMBROS

Ora, existe um fator significativo no panorama humano com relação à receita da Igreja: o declínio no número de membros. O Conselho tem compartilhado com os membros nesses dois últimos anos, de forma muito transparente, que essa tem sido a tendência durante cerca de oito décadas e que, até o momento, ela ainda não mudou. Surge então a questão na administração das finanças da Igreja: Caso o número de membros continue a diminuir por um período adicional, qual seria o nível apropriado de gastos que corresponderia a uma receita em declínio? O Conselho considera que seria apropriado ajustar os gastos da Igreja para que ele permaneça dentro de uma expectativa razoável de receita. De novo, isso traz à baila o papel da poupança, uma vez que ela pode ser útil de algumas maneiras. Uma delas seria fazer saques, usando partes dela para financiar as operações correntes do ano, mas ela pode também servir como uma reserva para necessidades inesperadas.

Poderíamos dar uma olhada na atual despesa anual, que está um pouco acima de $100 milhões de dólares, e dizer que um total de fundos equivalente a cinco vezes os gastos correntes, quase $500 milhões de dólares, provavelmente seja adequado, talvez um pouco mais do que adequado. Entretanto, existem dois fatores aqui dos quais precisamos estar cientes. Em primeiro lugar, dois terços dos ativos de A Igreja Mãe estão em fundos restritos que somente podem ser usados para propósitos definidos. Em segundo lugar, se olharmos para possíveis quedas na receita, em parte causadas por condições incertas nos mercados e em parte pelo declínio no número de membros, então, dentro de poucos anos, caso permanecêssemos com os gastos atuais, esse nível de fundos talvez possa não ser suficiente. Tentamos equilibrar tanto aquilo que é um gasto apropriado, sob o ponto de vista da receita, quanto aquilo que constitui um nível de fundos apropriado.

Houve um período, da década de 1930 até o final da década de 1950, em que os gastos da Igreja foram razoavelmente modestos e isso coincidiu com um dos maiores períodos de crescimento no mercado de ações dos Estados Unidos. Portanto, não é de se admirar que, ao final desse período de 30 anos, os fundos da Igreja tenham crescido de forma significativa...

Do ponto de vista da gestão de negócios, não seria sábio esperar que os mercados financeiros, ao longo das próximas décadas, permaneçam tão favoráveis como o foram ao longo das últimas décadas. Isso não significa prever problemas, mas sim evitar sermos ingênuos, para que, caso outra volatilidade viesse a ocorrer, ela não causasse uma crise financeira para a Igreja em um curto prazo. Houve períodos no passado em que ajustes rápidos e significativos foram necessários para reduzir as despesas, devido a mudanças nos mercados e ao baixo nível dos fundos da Igreja. Aprendemos que, quando esses eventos ocorrem, eles nos fazem desviar do foco que precisamos manter na missão sanadora da Igreja.

Uma das lições a serem extraídas é que o dinheiro precisa permanecer em seu papel de servo, não de senhor. Quando as finanças da Igreja se tornam o tópico número um, isso, em geral, não é construtivo. Essa não é a principal razão de estarmos aqui. O Artigo 24 no Manual da Igreja tem muito a dizer sobre a função do Tesoureiro, portanto, é um dos artigos ao qual tenho dedicado muito tempo. Continuo a me surpreender diante da extensão e do detalhamento das várias exigências de Mary Baker Eddy, constantes desse Artigo. Ela não confia só na consciência humana. Ela claramente acredita que a conduta humana necessita de assistência, de marcos orientadores, por assim dizer. Para mim, essas provisões do Manual representam apoios necessários para o pensamento e, portanto, para a atividade humana, ainda mais necessários na medida em que se relacionam aos dignitários da Igreja. As finanças se constituem em uma das áreas que a mente carnal ocasionalmente tenta usar para nos desviar do propósito subjacente e verdadeiro da Igreja.

COMO OS MEMBROS PODEM ORAR

Uma maneira seria valorizar a Igreja que Mary Baker Eddy fundou, em vez de simplesmente valorizar a igreja que aparece diante do sentido material. A Igreja que Mary Baker Eddy fundou é indestrutível. Ela tem um propósito sagrado que será cumprido, ou seja, ela desempenha um papel chave na espiritualização completa de todo o pensamento humano. Os membros podem nos dar o seu apoio, orando para que os dignitários, como também os próprios membros, sejam todos guiados por uma única Mente divina, que tudo sabe, tudo vê, que é oniativa, todo-amorosa, todo-sábia. Além disso, negar especificamente o argumento falso do magnetismo animal de que exista um poder ou força que se opõe a essa revelação de Igreja e que Deus outorgou a Mary Baker Eddy. Os desafios que surgem nas igrejas filiais e aqui em A Igreja Mãe, na superfície, parecem ou problemas financeiros ou do quadro de membros. Entretanto, eles são, na verdade, tentativas para desacreditar, frustrar, minar ou negar a revelação de Mary Baker Eddy. Todos eles são pretensões de que a Igreja que ela fundou não pode ter êxito, ou seja, que é uma bela ideia, mas que seus seguidores não serão bem sucedidos. Nós todos precisamos estar diariamente ativos em nossas orações, negando vigorosamente qualquer poder a esse conjunto de pretensões.

Atualmente, os fundos da Igreja parecem estar em níveis suficientes para suprir quase todos os tipos de necessidades. Se o declínio no número de membros continuar, então acho que não precisamos olhar muito mais adiante para vermos que, se as coisas não se ajustarem um pouco, inevitavelmente surgirá a questão a respeito da adequação dos fundos da Igreja.

Há mais ou menos seis anos, o Conselho sentiu que precisava, na ocasião, reduzir urgentemente os gastos e, em um período de um ano, cortou os gastos pela metade, para cerca de $100 milhões de dólares. Também, o Conselho continua a controlar o nível apropriado de gastos para o futuro.

Quando consideramos os gastos da Igreja, é preciso que levemos em conta os três componentes interrelacionados que a constituem. Um deles é a Sociedade Editora da Ciência Cristã. De muitas formas, a Sociedade Editora realmente tem uma identidade singular, como também alguns encargos distintos em sua missão. Temos também a Igreja, caso a definamos como tudo o mais que não seja a Sociedade Editora. Dentro da Igreja, o terceiro grande componente de gastos está nos bens imóveis. Ao longo dos últimos anos, tem sido feito um esforço, que provavelmente necessitará de mais uns sete ou oito anos para ser completado, o de repensarmos o papel do patrimônio imobiliário da Igreja, não somente em termos de como o uso atual dos bens imóveis se relaciona com a missão da Igreja, mas também para nos certificarmos de que os gastos para manter os bens imóveis estão na proporção adequada aos gastos com atividades relacionadas à missão da Igreja.

As atividades imobiliárias e a Sociedade Editora gastam atualmente de forma significativa muito mais do que arrecadam. O Conselho tem trabalhado com uma equipe para cada uma dessas áreas e a equipe que trabalha para a Sociedade Editora começa com o Conselho de Fideicomissários. O objetivo dessas equipes tem sido o de trazer o gasto, o mais próximo possível, em linha com a receita. Com relação à Sociedade Editora, existem elementos em sua Escritura de Fideicomisso que sugerem que os gastos devem estar em linha com a receita, não apenas como uma necessidade financeira, mas como um elemento subjacente à sua missão, e que prova sua eficácia. Existem atualmente planos apropriados de longo prazo estabelecidos, que têm o objetivo de eliminar o déficit de gastos nessas duas áreas. Até agora, estamos muito focados em reduzir o déficit em ambas as áreas, embora desafios significativos permaneçam à medida que seguimos adiante.

Um terceiro componente nos gastos gerais da Igreja se refere a atividades que não são de caráter imobiliário e de publicação. O Conselho está também controlando o nível correto de gastos nessas atividades. Algo interessante resultou disso: Sob muitos aspectos, seria fácil, e perfeitamente natural, achar que as providências que estamos tomando são financeiramente impulsionadas. Que todo esse tópico é “um mal necessário”, e que o resultado disso é uma limitação infeliz. Entretanto, em algumas áreas, embora as questões tenham surgido primeiro sob um contexto financeiro, um caminho que tinha um custo significativamente mais baixo para aquela atividade acabou sendo melhor do que aquilo que estávamos fazendo antes.

DOIS CAMINHOS NOVOS E MELHORES

Um foi a mudança da edição diária do The Christian Science Monitor para semanal. Fica muito claro agora que as novas versões do Monitor — a edição semanal impressa, o produto diário on-line, e assim por diante — são altamente respeitados... até mais atualmente do que as versões que os precederam. A outra novidade que me vem à mente é a mudança de todos os funcionários do edifício da Administração, do edifício Colonnade, e de alguns que já estavam na Casa Editora, para escritórios reformados na própria Casa Editora. Essa mudança não foi bem aceita por todos quando a ideia foi apresentada pela primeira vez. Muitos acharam, o que era perfeitamente compreensível, que o ajuste seria por motivos financeiros. Entretanto, acho, principalmente agora, que essa mudança proporcionou uma condição melhor para todos os funcionários, que agora trabalham mais estreitamente uns com os outros do que antes.

Embora seja o Conselho de Diretores, e não o Tesoureiro, que conduz os negócios da Igreja, sinto que o fato de o Conselho estar reconsiderando o caminho que estamos trilhando não é apenas uma linha de pensamento financeiro. Nem é tampouco uma linha de pensamento de “enxugamento”. Domínio não significa se encolher. Além disso, o crescimento não envolve necessariamente gastar grandes somas. Por exemplo, um aumento no número de praticistas registrados acarretaria muitos gastos adicionais aqui em A Igreja Mãe!

Deus não outorgou essa revelação a Mary Baker Eddy para nos confundir. Não, a Igreja é um elemento chave na provisão divina para a salvação completa da humanidade. Portanto, isso é demonstrável. Podemos fazer isso. Os passos humanos exatos a serem dados nem sempre parecem imediatamente óbvios.... No entanto, Deus não desistiu de Seu propósito sagrado para a Igreja. A Ciência Cristã, como a revelação final, não é incompleta, portanto, somos capazes de evitar grandes gastos. Talvez apenas pareça que necessitamos mudar a natureza da nossa disposição de fazer isso.

APOIO À IGREJA ÚNICA

Uma coisa que desejo tornar claro é que respeitamos muito o fato de que o dinheiro dos membros é dinheiro dos membros. Não temos nenhum interesse em tentar dizer às pessoas o que fazer com seu dinheiro. Nós realmente temos interesse em cumprir com os papéis que o Manual exige de nós e nos sentimos à vontade para compartilhar perspectivas que achamos de utilidade. Esta é uma dessas perspectivas: A Igreja Mãe é única, mesmo entre outras organizações do Manual, que significam as igrejas filiais (ver Artigo 23, § 3º, “A Igreja Mãe é única”, p. 71). Em sua generosidade, muitos membros consideram várias instituições para apoiarem financeiramente. Esse é um assunto que cada membro decide individualmente, mas realmente nos sentimos à vontade para realçar a própria visão que Mary Baker Eddy tinha de que sua Igreja não é apenas uma entre várias organizações de utilidade. Ela é absolutamente única, e é central para a salvação da humanidade. Ela somente terá nosso apoio apropriado se tiver nosso amor total. Portanto, nesse sentido, é necessário que ela esteja no centro de nossas afeições, não na borda. Claro que, falando a partir da minha própria experiência, uma das inclinações dessa falsa crença chamada mente carnal seria nos fazer ver tudo através das lentes do sentido material, que também nos faria considerar A Igreja Mãe como simplesmente outra boa organização, que faz boas obras. Bem, ela é uma boa organização, e realmente faz boas obras, mas ela tem um papel e um propósito que são muito mais profundos. Portanto, ela precisa ser vista, amada, apoiada e ser interagida sobre um fundamento como nenhum outro.

O Manual provê orientação e apoio para nossas orações. Entretanto, realmente temos de orar de forma individual. O assunto acerca do domínio financeiro é um que interessava muito a Mary Baker Eddy. Acho que ela testemunhou pessoalmente cada exemplo de domínio e, às vezes, de falta de domínio, naqueles que viviam ao seu redor. Um dos primeiros tesoureiros da Igreja fugiu com os lucros da venda de doces doados para angariar fundos. Portanto, ela realmente viu de tudo. Ela era tão sábia e conhecedora da consciência humana como ninguém desde Jesus, e essa sabedoria está presente em todos os Artigos do Manual. A Igreja é uma demonstração coletiva. Ela não é apenas a demonstração do Conselho de Diretores ou das pessoas que possuem o crachá de funcionários. Ela também não é a demonstração somente dos membros. Ela é constituída por todos nós e é, até certo ponto, a soma de todas as nossas demonstrações individuais. Por conseguinte, não existe nenhuma balança humana adequada para avaliar essas contribuições.

Uma coisa pela qual sempre me interessei está no prefácio de seu livro Miscellaneous Writings [Escritos Diversos], em que ela cita um filósofo judeu do Talmude, que dizia: “A caridade mais nobre é evitar que o homem aceite caridade; e as melhores esmolas consistem em mostrar ao homem que ele não necessita de esmolas, [ensiná-lo] e capacitá-lo a recusá-las”.

Em seguida, ela escreveu: “Nos primórdios da história da Ciência Cristã, entre os milhares de alunos meus, poucos eram ricos. Agora, os Cientistas Cristãos não são indigentes; e seu bem-estar econômico foi adquirido curando a humanidade, moral, física e espiritualmente” (p. ix).

Ela claramente não considerava a indigência como uma condição favorável para seus alunos e não posso acreditar que ela a considerasse uma condição favorável para sua Igreja. Esse é um dos inúmeros fatores que me fazem achar que ela esperava um nível muito elevado de domínio sobre nossos assuntos e que precisamos desenvolver esse domínio, não importa o que esteja acontecendo ao nosso redor. Isso é verdadeiro para os dignitários da Igreja; não podemos dizer: “Ora, os mercados estão em baixa, portanto não foi nossa culpa”. Por outro lado, não estou seguro de que ela expulsaria com um “fora” os membros que dissessem: “Veja, já tenho meus próprios problemas financeiros, portanto não posso apoiar a Igreja agora”. Tudo o que ela pede anualmente de cada membro é pelo menos um dólar, sob a forma de uma taxa “per capita”. Para mim, isso quer dizer que ela provia a possibilidade, pela demonstração por parte dos dignitários da Igreja, de receber contribuições dos membros de forma sábia, eficaz e com gratidão; mas também a possibilidade para que os membros contribuíssem anualmente, com generosidade, mais do que um dólar. Esta Igreja é um tipo de ecossistema, e tudo está fundamentado em uma demonstração diária, rigorosa e ativa.

Outra maneira de ver a exigência da “per capita” é que Mary Baker Eddy estipula que os membros abordem conscientemente a questão do apoio financeiro para A Igreja Mãe, pelo menos uma vez por ano. Ela nos impede de nos desconectarmos financeiramente. Com uma provisão similar do Manual, acho que ela impede os membros de se desengajarem ou se desconectarem com relação a fazer assinaturas para os periódicos da Ciência Cristã (ver Artigo 8º, § 14, “Periódicos da Igreja”, p. 44).

Os membros têm sido consistentemente generosos. Os membros e dignitários do Conselho e todos os nossos colegas aqui, são extremamente gratos pelas contribuições dos membros para a Igreja. Essa generosidade e consistência de apoio precisam continuar. Necessitamos estar alerta para a sugestão de que: “A Igreja Mãe tem muito dinheiro, portanto, posso diminuir meu apoio a ela e talvez direcioná-lo para outra instituição”. O amor que cada membro tem por esta Igreja é evidente. Nós o sentimos aqui. Nós o vemos e o sentimos financeiramente, também.

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