Channing Walker
Assino dois jornais, um local e o The Christian Science Monitor, cada um com seu próprio potencial. O periódico local me atualiza com relação aos fatos políticos de minha cidade e me informa tudo sobre as equipes esportivas locais. O Monitor tem, entre outras coisas, uma excelente cobertura internacional e reportagens profundas e perspicazes sobre o meio ambiente. Às vezes, a cobertura dos dois jornais coincidem, como em agosto passado, quando ambos publicaram uma série de artigos sobre a incursão russa na Geórgia e como essa ação redesenhava o mapa político e mudava a equação referente ao petróleo na região.
Tanto o Monitor quanto o jornal local praticam um jornalismo de primeira linha. Contudo, ao compará-los, percebi uma diferença sutil, mas real. Os artigos no jornal de minha cidade deixam o leitor desanimado com os desgastes políticos e as calamidades. Os artigos do Monitor, para mim, estimulam, ao invés de angustiar. O local parecia ter um ponto de vista que ampliava os problemas e o Monitor uma postura solucionadora para eles.
À medida que ponderava sobre essa diferença, lembrei-me do que a fundadora do Monitor, Mary Baker Eddy, escreveu sobre cada um dos periódicos que ela estabelecera no editorial de apresentação do primeiro exemplar desse jornal, em 1908. Além de dar a eles títulos, compartilhou o objetivo que tinha para cada um deles. Sobre o jornal The Christian Science Monitor, ela disse que sua missão era a de “propagar, sem dividir, a Ciência que opera sem se desgastar” (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Vários Escritos], p. 353). Eu achava que essa declaração se referia simplesmente ao artigo que aparece um pouco antes da página final de cada número, artigo esse que oferece uma clara perspectiva da prática da Ciência Cristã na nossa vida. Agora, vejo outra possibilidade. O que aconteceria, se o jornal todo tivesse como objetivo “propagar, sem dividir, a Ciência que opera sem se desgastar?” Se assim for, como isso poderia acontecer? Como poderiam cumprir tal objetivo as reportagens que não propagam de forma simplória tragédias e injustiças que ocorrem no planeta, mas que as relatam de forma franca e clara?
Da mesma forma que um filme é incompleto sem o público que o assiste e uma competição esportiva sem os torcedores, um jornal é incompleto sem leitores. O Monitor dá um passo além. Para que o objetivo de Mary Baker Eddy fosse concretizado, os leitores do Monitor, pelo menos uma parte deles, teriam de ser também ativos no sentido de orar sobre as notícias, uma vez que a oração em resposta aos problemas reportados ajuda a propagar a Ciência ou lei do Amor divino. Não existe nenhuma divisão do planeta em fragmentos “dignos” ou “indignos”, merecedores ou não merecedores, do cuidado divino. A oração pode reconhecer esse fato.
Embora, às vezes, pareça que somente dificuldades como secas, queda na atividade econômica, mudança climática global e hostilidades se propaguem, na verdade, é a lei do Amor que se irradia a cada coração humano. Essa Ciência ou lei divina sempre atua em prol da humanidade, além de ser inexaurível e aplicável a cada situação humana. Quando compreendida, essa lei do Amor conforta e cura.
Esses fatos espirituais são verdadeiros e fazem a diferença sanadora. Contudo, para que assumam o controle e tenham um impacto transformador, eles devem ser reconhecidos em oração para que sejam postos em prática em áreas de tensão em todo o globo. A perspectiva do Monitor, focada na solução de problemas, oferece a seus leitores um convite sem palavras para que também orem e se engajem no cuidado espiritual que abrange todo o planeta.
Essa perspectiva espiritual e a oração se tornam ainda mais necessárias agora, justamente quando o Monitor inicia seu segundo século de existência.
Channing Walker é Praticista da Ciência Cristã em Mountain Center, Califórnia, EUA, onde mora com sua esposa Kathleen.