Robert R. MacKusick
Logo que soube do terremoto e do tsunami no Japão, enviei esta mensagem por e-mail a um amigo nosso que vive lá:
Prezado amigo Nitaro e família:
Os membros da nossa igreja estão orando por todos vocês no Japão, especialmente com o primeiro versículo do Salmo 46: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”.
Com amor em Cristo a você e a sua família,
Robert
Em um momento de grande desespero e desejo de ajudar, volvi-me sinceramente a Deus. Este outro versículo daquele mesmo salmo me veio ao pensamento com muita confiança: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.
Para mim, foi bom “aquietar-me”, ficar calmo e sereno, e não entregar-me ao medo e ao desespero, mas saber que Deus é supremo, sempre presente, sempre disponível a todos que se volvem a Ele em busca de ajuda e orientação. Foi reconfortante compreender que o próprio senso da presença e do poder de Deus que veio a mim, estava também disponível a todos, em toda parte, para ser sentido e vivenciado.
O noticiário da televisão registrou uma resposta extraordinária dos telespectadores perguntando como eles poderiam ajudar. A estação disponibilizou um site na Internet que orientava as pessoas para onde enviar suas contribuições. Essas pessoas, organizações e nações, que saíram em socorro dos necessitados, esforçavam-se para saber exatamente o que era necessário: alimento, roupas, água potável e abrigo.
Além das contribuições monetárias e de suprimentos diários, que tipo de oração específica podemos nós enviar àqueles em necessidade? Além de “aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus”, o que mais podemos saber e compreender em nossas orações que satisfará às necessidades específicas?
Podemos saber que Deus, o Amor divino, está sempre presente. Que ninguém pode estar separado de Sua ternura, provisão, assistência e consolo. Que o Amor está à altura de qualquer demanda, além de ser imediato e plenamente capaz de suprir qualquer necessidade quando necessitamos da ajuda divina. O livro de Isaías diz: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir” (59:1).
Podemos saber que o consolo e a ajuda da Verdade e do Amor divinos são práticos, não apenas teóricos ou teológicos. Quando aqueles em necessidade vieram a Cristo Jesus em busca de ajuda e cura, eles receberam bênçãos tangíveis e práticas. Os famintos foram alimentados; as tempestades foram acalmadas; os doentes foram curados; os aleijados caminharam de novo; os aflitos se regozijaram ao sentir o toque terno e amoroso do Cristo, a Verdade.
Podemos saber que Deus, como Mente divina, é a única inteligência, proporcionando ideias corretas sobre encontrar o que foi perdido. Essa Mente divina concede clareza ao pensamento, poder de decisão, autoconfiança e intuição com relação a quais passos tomar para resolver questões graves. Essa Mente divina não está frustrada ou atrapalhada pela necessidade de desempenhar muitas tarefas ao mesmo tempo ou agir com rapidez. Essa Mente divina pode conceder àqueles prejudicados pelo desastre ideias corretas sobre onde e quando procurar por assistência, e encontrá-la. O livro-texto da Ciência Cristã, de Mary Baker Eddy, diz: “O ‘ouvido divino’ não é um nervo auditivo. É a Mente que tudo ouve e tudo sabe, e que sempre conhece todas as necessidades do homem e as satisfaz” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 7).
Podemos saber também que Deus é Princípio divino, suprindo estrutura, harmonia e ordem à existência. Um dos hinos que consta do “Hinário da Ciência Cristã” inclui a frase: “Grandeza e ordem juntas, Revelam Seu querer” (Frederic W. Root, N° 329). Apesar das calamidades que têm ocorrido, o Princípio divino pode trazer restauração, reparação e renovação. O Princípio divino expressa lei, harmonia natural, ação estruturada e propósito.
Além disso, em nossas orações, podemos saber que Deus, como Alma, está presente para curar o desespero. A Alma consola, tranquiliza e proporciona uma paz e ternura que nega e anula as condições materiais, não importa quão graves.
Quando as pessoas deixam dinheiro na caixa de arrecadação para ajudar os pobres, elas talvez nunca saibam quem está sendo beneficiado, mas mesmo assim elas colaboram. Elas confiam em que o amor que estão expressando alcance o destinatário exatamente da maneira certa. Talvez não conheçamos as pessoas que estão sendo ajudadas pelas nossas orações e, mesmo se soubéssemos, talvez possamos não receber uma resposta reconhecendo quaisquer benefícios recebidos. Contudo, ainda assim podemos enviar essas orações amorosas, sinceras e generosas cada vez que tomamos conhecimento de danos que foram causados e cada vez que sentimos o desejo de ajudar e de curar nosso mundo.
Este artigo foi publicado em The Christian Science Monitor, no dia 18 de março de 2011, com o título "To a friend, and to those I've never met, in Japan".