Beth Carey
Ao estudar a Lição Bíblica Semanal da Ciência Cristã da semana de 12 a 18 de abril, intitulada “A doutrina da expiação”, é útil darmos uma olhada no primeiro parágrafo do Dicionário da Bíblia Interpretada a respeito do tema.
Esse dicionário explica que a palavra inglesa atone deriva da frase: “at one”: “Estar ‘at one’ (unido) a alguém é estar em um relacionamento harmonioso com essa pessoa. Semelhantemente, ‘atonement’ significa originalmente ‘at-one-ment’ (união mental) ou ‘reconciliation’ (reconciliação)” (p. 309).
Esse “at-one-ment” (união mental) flui por toda a Lição, do começo ao fim, com um chamado inicial à ação já na Seção I: “A unidade científica que existe entre Deus e o homem tem de ser elaborada na vida prática...” (Ciência e Saúde, p. 202, citação 5).
O senso de pecado e culpa é também abordado logo no início, no Texto Áureo, quando o profeta Miquéias oferece uma solução para esse problema, dizendo: “...que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Miquéias 6:8).
No passado, muitas religiões achavam que se você trouxesse oferendas aos deuses, ou a um único Deus, seus pecados seriam perdoados. Até mesmo Moisés disse ao seu irmão mais velho, Aaron, o sumo sacerdote, o que ele deveria oferecer ao Senhor: “...Toma um bezerro, para oferta pelo pecado, e um carneiro, para holocausto... e faze expiação por ti e pelo povo...” (Levítico 9:2, 7, citação 1).
Subsequentemente, o templo em Jerusalém passou a ser o centro para a expiação dos pecados, por meio do sacrifício de animais. Essa era uma das formas mais importantes pela qual os judeus expiavam seus pecados, até que o templo, o local onde esses sacrifícios ocorriam, foi destruído no ano 70 da Era Cristã. Um pequeno grupo de judeus começou a compreender que a expiação não devia ser feita com sacrifícios e ofertas pelo pecado, mas que a reconciliação era obtida seguindo-se o exemplo da vida de Cristo Jesus.
Depois da crucificação de Jesus, outra maneira de expiar o pecado apareceu. Para alguns, a crucificação de Jesus tornou-se a expiação final. Esses cristãos acreditavam então, como até hoje alguns acreditam, que Jesus, o Cordeiro de Deus, representou o sacrifício final. O livro de Hebreus explica este pensamento: “...pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hebreus 9:12, citação 3). Alguns cristãos pregam que, se aceitarmos esse conceito, nossos pecados são eliminados. Jesus, por outro lado, ensinou de forma direta, como também por meio de suas experiências de vida, tais como, suas três tentações (ver Mateus 4:1-11, citação 7), que aquilo que pensamos, a cada momento, e como respondemos às tentações, é o que faz a diferença.
Jesus declarou claramente seu relacionamento com Deus. Ele disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30, citação 12), verdade essa que foi testemunhada nas curas, tal como na cura do paralítico encontrada na Seção IV (ver Marcos 2:1-12, citação 15). Ciência e Saúde explica essa unidade como sendo “...um em qualidade, não em quantidade”. A passagem continua: “Assim como uma gota dágua é uma com o oceano, um raio de luz um com o sol, do mesmo modo Deus e o homem, o Pai e o filho, são um no ser” (p. 361, citação 16).
Mary Baker Eddy revelou outro ponto de vista a respeito da perfeição contínua da humanidade. Ela considerava que Jesus havia elevado os mortais “a um nível mais alto do que lhes permitiam seus pobres modelos de pensamentos”. Dando sequência a essa ideia, ela explica: “A compreensão crística acerca do ser científico e da cura divina inclui um Princípio perfeito e uma idéia perfeita — Deus perfeito e homem perfeito — como base do pensamento e da demonstração” (Ciência e Saúde, p. 259, citação 17).
A “unidade” de Deus com Seu povo é ilustrada em mais detalhes na Seção VI da Lição desta semana, em que o bom pastor e as ovelhas servem como uma grande analogia para Deus e Seu povo. As ovelhas não são agressivas, elas são afetuosas, relativamente indefesas e necessitam de cuidado e supervisão. Elas são um símbolo de humildade, paciência e submissão. Os pastores na Palestina geralmente caminham adiante das ovelhas, chamando-as para que os sigam. Quando chamadas por nomes específicos, as ovelhas atendem a esse chamado e caminham em grupo. Quando cada uma delas entra no aprisco à noite, um bom pastor vigia e examina atentamente a cada ovelha, cuidando que esteja a salvo de danos e ferimentos. A unidade existente entre o Pastor, Deus, e Suas ovelhas, é ternamente ilustrada repetidas vezes na Bíblia.
O conceito de reconciliação é básico aos artigos de fé da Ciência Cristã, os quais incluem esta declaração: “Reconhecemos a expiação de Jesus como evidência do Amor divino, eficaz, que revela a unidade do homem com Deus por intermédio de Cristo Jesus, o Guia...”. Outro artigo de fé ressoa os mandamentos de Miquéias, no Texto Áureo, conclamando-nos a uma solene promessa para que sejamos “misericordiosos, justos e puros” (ver Ciência e Saúde, p. 497, citação 24). Não representam esses mandamentos o fundamento da “unidade” perfeita com nosso Pai-Mãe Deus?
Beth, uma Praticista da Ciência Cristã, mora em Elsah, Illinois, EUA.