Margaret Rogers
Publicado em The Christian Science Sentinel de 24 de outubro de 2005
Quando comecei a trabalhar como enfermeira da Ciência Cristã, logo após a faculdade, tinha de responder a muitas perguntas difíceis. Naquela época, a maioria dos enfermeiros da Ciência Cristã ainda usava uniformes brancos. Portanto, quando eu pegava o ônibus para ir ou vir da instituição em que trabalhava, outros passageiros frequentemente me faziam perguntas sobre o que fazer a respeito de seu braço enrijecido ou sobre os medicamentos que tomavam.
Então, eu explicava que era Enfermeira da Ciência Cristã e que trabalhava com pacientes que usavam um sistema de cura completamente mental e espiritual, ou seja, que não fazia uso de medicação ou terapias físicas. Em seguida, vinha a pergunta usual: “Se os Cientistas Cristãos não vão a médicos, por que vocês têm enfermeiros”?
Francamente, essa é uma pergunta que faria a mim mesma alguns anos antes. Eu fora criada em uma família de Cientistas Cristãos e quando surgiam doenças ou ferimentos, orávamos da maneira que Cristo Jesus ensinou: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). Pelo estudo da Ciência Cristã, eu havia aprendido alguns dos fundamentos da verdade a que ele se referia:
Nosso Pai é Espírito e, portanto, somos seres espirituais: “...o que é nascido do Espírito, é espírito” (João 3:6).
Buscar a compreensão de que Deus satisfará a todas as nossas necessidades: “...não andeis ansiosos pela vossa vida... buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:25, 33).
A Ciência divina da cura que Jesus compreendia, pode ser demonstrada hoje: “...aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço...” (João 14:12).
Esses pontos são essenciais à prática da cura e da enfermagem da Ciência Cristã. Quando eu era pequena, a oração, fundamentada nessas verdades, satisfazia às necessidades de nossa família com relação à saúde. Às vezes, chamávamos um praticista da Ciência Cristã para orar conosco. Se estivéssemos doentes ou machucados, meus pais proviam o tratamento físico simples de que necessitávamos. Nunca havia conhecido um Enfermeiro da Ciência Cristã até entrar para a faculdade. Em um fim de semana, participei de um seminário informativo sobre a Enfermagem da Ciência Cristã que me inspirou a aceitar um emprego durante o verão como Auxiliar de Enfermagem da Ciência Cristã. Os seis anos subsequentes que passei treinando e trabalhando como Enfermeira da Ciência Cristã me proporcionaram algumas das formas de instrução mais valiosas que já recebi, mas também as que mais exigiram de mim.
Essa instrução tinha como foco praticar aquilo que significa ser um cristão, como também aquilo que significa ser científico. As pessoas que confiam exclusivamente na oração para a cura, às vezes, necessitam de cuidados práticos que as famílias não conseguem dar e os enfermeiros da Ciência Cristã estão aptos a proporcionar. Contudo, isso representa mais do que apenas cuidados físicos. Eu descreveria a essência da Enfermagem da Ciência Cristã como presença. Quando a doença, ou outras deficiências, parece negar a presença, o amor e a ajuda de Deus, os enfermeiros da Ciência Cristã podem oferecer uma evidência tangível dessa presença.
A Enfermagem da Ciência Cristã também me proporcionou uma compreensão mais profunda do que significa ser científico. Um requisito para os enfermeiros da Ciência Cristã é que eles tenham um “conhecimento demonstrável da prática da Ciência Cristã” (Mary Baker Eddy, Manual de A Igreja Mãe, Artigo 8º, § 31). Esse conhecimento provém de um estudo espiritual contínuo e de uma compreensão sobre Deus, conforme encontrada na Bíblia e nos escritos de Mary Baker Eddy. Isso inclui a compreensão de que Deus produz somente o bem e de que tudo aquilo que não for bom não tem nenhum poder nem realidade para sustentá-lo.
A prática científica também envolve uma atenção especial a respeito da maneira como nosso próprio pensamento afeta um determinado caso. Quando trabalhei como enfermeira, comprovei que os problemas que pareciam ser físicos eram, na verdade, de natureza mental, e que as ideias e atitudes espirituais tinham um efeito sanador sobre a mente e o corpo. Por exemplo, pacientes com dores que pareciam provenientes de uma causa claramente física, frequentemente sentiam alívio rápido quando os enfermeiros da Ciência Cristã liam a Bíblia ou cantavam hinos para eles com amor e convicção. Isso me ajudou a compreender que, como sanadores, lidávamos, em última análise, com o pensamento em vez de com a matéria, e que a Verdade divina é a poderosa medicina que cura.
Cristo é outro nome para esse poder da Verdade. O Cristo é a divina mensagem de Deus que nos diz que Ele fez tudo espiritual e bom, e essa mensagem continuará vindo a cada um de nós, até aceitarmos que somos espirituais e bons. Os enfermeiros da Ciência Cristã têm o privilégio e a alegria de testemunhar a presença do Cristo junto ao paciente, e de praticar as qualidades do Cristo, tais como: serenidade, confiança e amor no quarto do doente. Mary Baker Eddy descreveu bem essa obra sanadora: “Os remédios de Deus são preparados de Suas próprias qualidades” (Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896, p. 268).
Uma colega minha certa vez me contou que sempre orava para saber quais qualidades de Deus eram particularmente necessárias em um determinado caso. Se ela tivesse um paciente desanimado ou desesperado, por exemplo, ela tratava do caso como uma enfermeira cheia de gratidão e de alegria. Ao fazer isso, ela dava provas de que a bondade de Deus estava presente e o resultado era o reconhecimento desse fato. Alegria, organização, pontualidade, paciência, muita fé, receptividade à Verdade e ao Amor são qualidades que Mary Baker Eddy mencionou ao descrever a enfermeira ideal (ver Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 395).
Uma amiga de longa data sentiu o poder sanador dessas qualidades, quando se internou em uma instituição de Enfermagem da Ciência Cristã com uma grave hemorragia interna. Muitos anos após sua cura, ela ainda fala, maravilhada, sobre a alegria e o amor que os enfermeiros da Ciência Cristã lhe demonstraram. Embora estivesse sofrendo dores e necessitasse de muitos cuidados físicos, ela conta que a alegria expressa pelos enfermeiros fizeram com que ela quisesse retribuir algo daquele amor e gratidão. “O momento decisivo”, disse-me ela certa vez, “foi quando parei de pensar no sofrimento e comecei a pensar sobre o que os enfermeiros faziam para mim com um amor tão abnegado”. Ela alcançou a cura completa e diz que a parte mais memorável dessa experiência foi a alegria e o amor dos enfermeiros.
Como alguém consegue se sentir alegre diante de um aparente sofrimento? É aqui que entra o aspecto cristão e científico da Enfermagem da Ciência Cristã. O cristianismo inclui a fé em que Deus é infinitamente misericordioso e poderoso para trazer à luz a verdadeira saúde de todos. Tal como os dedicados seguidores do Cristo, os enfermeiros da Ciência Cristã trabalham para obter e manter essa convicção. A capacidade de expressar alegria diante do sofrimento começa com a disposição de negar o eu (a aparência material de vida), e reconhecer a lei divina espiritual de saúde e de harmonia governando a todos, agora mesmo! Isso inclui a disposição e a convicção de dizer para si mesmo: “Não importa o que eu veja, ouça, sinta ou cheire, a verdade científica é que essa pessoa é uma ideia imortal e espiritual a quem Deus ama e mantém em perfeição”. A abnegação também inclui perseverar em um caso difícil e demonstrar a lei do amor, expressando compaixão para com o paciente, mesmo quando nossa própria inspiração e paciência se enfraqueçam.
Seguir o Cristo é um trabalho científico porque exige confiar naquilo que é cientificamente demonstrável, ao invés de naquilo que parece verdadeiro aos cinco sentidos corpóreos. Mary Baker Eddy descobriu nos relatos das curas de Jesus nos evangelhos a prova cabal de que a saúde é a condição real e permanente da criação e de que pode ser demonstrada como estando presente onde a doença parece estar. Raciocinar e orar para compreender os ensinamentos de Jesus e viver o espírito do Cristo levou-a a reproduzir, em um grau extraordinário, os registros de cura de Cristo Jesus. Mary Baker Eddy encorajava a todos os estudantes de Ciência Cristã e esperava que eles seguissem esse mesmo exemplo, à medida que cresciam na doutrina do Cristo.
A enfermagem da Ciência Cristã é um aspecto vital da cura. Todos nós somos conclamados a testemunhar a presença de Deus para os outros. O mundo deve gratidão aos enfermeiros da Ciência Cristã que aceitam esse desafio de forma serena, humilde e alegre, todos os dias!