Warren Bolon conversa com Thomas Black, Christiane West Little e Allison Phinney
Atualmente há mais de 180 associações de alunos de Cursos Primários de Ciência Cristã com professores ativos e um número ainda maior de associações (cerca de 220) que continuam a se reunir anualmente, embora seus professores já tenham falecido. O que é necessário para uma associação ser ativa, vital, quando o professor não está mais presente para ensinar e guiar os alunos? Como pode uma associação sem seu professor continuar a promover o crescimento espiritual dos alunos? Podem as associações mudar os aspectos de suas reuniões anuais? (Na edição de outubro de 2009 de The Christian Science Journal, os membros de O Conselho de Educação, juntamente com Allison “Skip” Phinney, conversaram sobre as associações de alunos da Ciência Cristã: Por que Mary Baker Eddy as estabeleceu e qual é a missão educacional e sanadora delas no segundo século do movimento da Ciência Cristã?)
J. Thomas Black está no cargo de vice-presidente de O Conselho de Educação e é membro de O Conselho de Diretores da Ciência Cristã. Christiane West Little ministrou o mais recente Curso Normal (uma classe ensinada a cada três anos, e que prepara novos professores de Ciência Cristã) e Skip Phinney, que serviu como Presidente de A Igreja Mãe durante o período de 2009-2010, tem feito pesquisas para o Conselho de Educação. Eles conversaram recentemente com o Gerente de Redação do Journal, Warren Bolon.
Warren Bolon: O que é uma associação de alunos da Ciência Cristã?
Tom Black: Ela é composta por alunos de um determinado professor, organizada sob a forma de uma associação. Ela se reúne, de acordo com o Manual da Igreja, uma vez por ano e existe, como todas as demais atividades da Igreja, com o propósito de ampliar e aprofundar a espiritualidade e a capacidade de curar dos membros da associação. O próprio Curso Primário de Ciência Cristã é uma unidade completa. As reuniões anuais das associações nutrem e fortalecem o que os alunos receberam em classe.
Christiane West Little: Sim, uma associação se mantém unida pelo ensinamento que os alunos receberam de seu professor. Não é uma organização unida pela personalidade do professor, mas pelo ensinamento, o ensinamento comum, que os conecta, e os mantém juntos ao longo dos anos. Mesmo depois que o professor falece, a associação continua a progredir em compreensão espiritual. O elo do ensinamento que receberam os mantém juntos. Ao fazermos o Curso Primário, assumimos o compromisso de assistir à reunião anual da Associação de alunos.
Skip Phinney: Tivemos uma reunião ontem com os secretários e membros da comissão executiva de associações sem professores da área de Boston. Um dos comentários sobre a associação significou muito para mim. Uma senhora considerou uma associação como “um grupo unido de trabalhadores, uma corporação de sanadores que se associa e se torna uma grande luz.” Portanto, há muito ainda a acrescentar à definição de associação.
Warren: Existe alguma implicação ao termo que Mary Baker Eddy usou para “associação de alunos”?
Chris: Sim, uma associação pertence tanto aos alunos como ao professor, coletivamente. Não é apenas a associação do professor, mas também dos alunos. Uma associação tem seus próprios estatutos e ela se autogoverna, mesmo depois que o professor não está mais presente, a fim de que essa “grande luz” continue a iluminar e o crescimento espiritual continue a se desenvolver. Tom, você usou um belo termo para essas associações, que é sementeira de espiritualidade. É “a boa terra” na qual Deus plantou a semente da compreensão espiritual, da graça, do amor, da sabedoria e na qual ela cresce. Não é algo que, a certa altura, é interrompido quando o professor falece. Ela continua progredindo, exatamente como o professor continua progredindo.
Tom: Uma das dificuldades que as associações sem professores enfrentam é fazer essa transição. Os professores algumas vezes proveem em seus estatutos alguma recomendação ou mesmo uma cláusula para que a associação tome uma atitude, como, por exemplo, se dissolver. Entretanto, ela não precisa ser dissolvida. Descobrimos que, muito embora um professor talvez possa recomendar algo assim, a associação tem a autoridade para estabelecer seus próprios precedentes, não é, Skip?
Skip: Uma associação de alunos tem vida própria, ou seja, o professor não é a associação, em si mesmo nem de si mesmo. Além disso, a associação continua e cresce, e tem missão e propósito próprios.
Tom: O propósito e a missão são também dinâmicos e sanadores, não? Como o Próprio Deus. Ela não é estática.
Skip: Está se desenvolvendo o tempo todo.
Warren: Como pode uma associação continuar a crescer, a se desenvolver em seu propósito e missão?
Chris: É como Jesus, quando estava se aproximando do momento de deixar este mundo. A Bíblia nos diz que ele amou os seus discípulos completamente “até o fim”, e então lhes disse que não os deixaria órfãos (ver João 14:18). Que o Consolador viria, o Espírito Santo, o Espírito da verdade, o qual explicaria todas as coisas a eles, as coisas que o Mestre lhes havia ensinado. O ensinamento está aqui. Mary Baker Eddy citou Jesus: “Nas palavras de S. João: ‘Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco’” e, em seguida, ela escreve: “Esse Consolador, no meu entender, é a Ciência Divina” (Ciência e Saúde, p. 55). No Glossário de Ciência e Saúde, ela definiu Espírito Santo como “A Ciência divina; o desenvolvimento da Vida, da Verdade e do Amor eternos” (p. 588). Isso me dá um senso da continuidade da associação. Em realidade, é a continuidade do sistema educacional que Mary Baker Eddy estabeleceu para sua Igreja, o que simplesmente continua, desde a Escola Dominical, as Lições Bíblicas, o Curso Primário, até às associações. Não fomos deixados sem consolo. Temos o ensinamento e isso é o que nos mantém crescendo.
Tom: As associações, quer tenham um professor ou não, não podem ser divorciadas da Verdade, ou separadas da Verdade, em nenhum pormenor. Mary Baker Eddy torna claro que o propósito da Igreja é elevar, abençoar e curar não apenas os membros da associação, mas a humanidade. Portanto, o que uma associação sem professor faz para que tenha o efeito de tornar os alunos melhores sanadores? Ela cultiva, de várias maneiras, o sentido espiritual.
Skip: Sim, ela promove o sentido espiritual. Mantém vivo o espírito do Cristo e, nessa luz do Cristo, vemo-nos a nós mesmos de uma maneira completamente diferente. A Chris estava falando sobre o Espírito Santo e eu estava pensando sobre a manhã na praia do mar da Galileia na qual, sob a luz do Cristo ressuscitado, os discípulos viram a si mesmos de uma maneira completamente diferente do que haviam se visto antes. Em seguida, eles seguiram em frente, curaram, e mudaram o mundo.
Warren: Então, uma associação é uma oportunidade de cumprir o propósito da bem-aventurança de Jesus: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça...” (Mateus 5:6).
Tom: Essa é uma questão importante. O que faz uma associação que resulta em aumento de espiritualidade?
Chris: Ela convida um palestrante para o dia da reunião anual, um dia inteiro, mas o fato é que a associação está realmente orando o ano inteiro. Ela talvez tenha uma tarefa para estudar durante o ano todo, ou os membros estudem individualmente, mas, de novo, o objetivo é promover o crescimento espiritual. O palestrante discorre sobre um determinado tema. Não se trata de ensinamento novamente, mas, como você disse, Tom, é um aprofundamento da compreensão espiritual. A compreensão espiritual, quando ativa, estará sempre se aprofundando. Acho que é aquela gravitação rumo a Deus, em que Deus está constantemente atraindo nosso pensamento para uma compreensão mais elevada sobre Ele, sobre quem somos como a expressão dEle, como a ideia dEle. Também a compreensão sobre o comprometimento que Jesus pediu de seus discípulos: “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios” (Mateus 10:8). No Manual da Igreja, na seção sobre o Conselho de Educação, e é interessante encontrarmos as seguintes palavras ali, está escrito que “curar é melhor que ensinar” (p. 92). De novo, a importância da cura. A associação é onde a Igreja obtém seus professores, praticistas, conferencistas e membros ativos.
Skip: Uma das coisas que uma associação faz, de maneira simples, porém poderosa, é fazer com que seus membros compartilhem curas uns com os outros. Esta manhã eu estava pensando sobre o que a Chris acabou de dizer a respeito do Manual e que “curar é melhor do que ensinar”, quando recebi um e-mail de um aluno que contou sobre a cura de seu filho. Foi uma bela cura de crupe, e que me fez lembrar de algumas curas que meus próprios filhos tiveram desse mesmo problema. Essas curas são reveladoras para um professor, porque faz lembrá-lo de que esse é o resultado, é sobre isso que estamos falando.
Chris: Isso vai além da cura pessoal, porque, como diz a “Oração Diária” de Mary Baker Eddy: “...e que a Tua Palavra enriqueça as afeições de toda a humanidade...” (Manual, p. 41), reunir-se em um mesmo lugar, todos em comum acordo, traz luz ao pensamento do mundo.
Tom: Quais são algumas das questões com as quais as associações sem professores têm de lidar? Uma delas é ter um palestrante, alguém que conduza a associação, com um senso agudo de espiritualidade e de cultivá-la, o que, na verdade, é o propósito da reunião. Uma associação necessita ter um sistema estabelecido para a escolha dos palestrantes, certo Skip?
Skip: Sim, elas precisam realmente pesquisar, considerar, não fazer suposições. Algumas enviam um questionário ao provável palestrante e, dessa maneira, começam a obter uma verdadeira noção de onde ele está vindo e de quais são suas ações. Algumas vezes, perguntam ao palestrante se está claro, para ele ou para ela, que a palestra tem um propósito inteiramente espiritual, e não político. Dessa maneira, as associações excluem agendas pessoais e ideias que não sejam adequadas à associação.
Chris: Em realidade, dá-se o mesmo com os professores, para que opiniões pessoais não sejam o que ensinamos. Ensinamos o que está nos livros, no capítulo “Recapitulação” em Ciência e Saúde, e não opiniões pessoais .
Tom: Exatamente como algumas vezes parece haver apego pessoal aos professores, da mesma maneira, ocasionalmente, existe apego pessoal a alguns palestrantes convidados. Eles podem desenvolver seguidores e deixar a conhecer os locais em que eles estarão dando uma palestra. Então, um palestrante talvez diga à comissão executiva da associação: “Vocês podem esperar pedidos de visitantes para esta associação, de fulano e beltrano”. Uma maneira de a associação se proteger seria não oferecer convites àqueles que a associação tenha razões para supor que estejam participando pelo fato de serem seguidores pessoais do palestrante.
Chris: O Conselho de Educação tem regras para associações sem professores, para se encontrar um palestrante. Quando nos volvemos a Deus em busca de inspiração para saber a quem recorrer, um nome talvez possa vir à luz sobre o qual nunca pensamos antes.
Skip: Uma das coisas que uma associação pode fazer para se ajudar é abordar o processo de seleção de um convidado palestrante de maneira metafísica, para que não iniciem o processo a partir de uma comparação pessoal com o professor. Agir dessa forma não beneficia a ninguém. Com certeza é uma conduta que não ajuda nem o palestrante, nem a associação, uma vez que metafisicamente compreendemos que a oportunidade de dar uma palestra procede da consciência da presença e da totalidade de Deus.
Tom: O palestrante precisa ser necessariamente alguém que esteja registrado no Journal como praticista?
Chris: O Manual não faz nenhuma referência a isso. Ele diz: “Aqueles amados irmãos que tenham ficado privados de seus professores, podem eleger, para dirigir as reuniões de sua associação, um Cientista Cristão experiente que não esteja encarregado de uma associação de alunos e que esteja preparado para essa soberana vocação” (p. 86). Portanto, existe a necessidade de uma “soberana vocação”, que não é a vocação de uma personalidade, mas é a de Deus.
Tom: Como definir “um Cientista Cristão experiente”?
Chris: Alguém que tenha comprovado, que tenha vivido a Ciência do Cristo. Uma pergunta feita em nossa reunião com as associações da área de Boston foi: “Podemos pedir ao palestrante que fale sobre determinadas questões”? Outra pessoa disse: “Bem, nós simplesmente deixamos isso a critério do palestrante”. É importante compreender, contudo, que a comissão executiva de uma associação é perfeitamente livre para pedir ao palestrante que aborde certas questões que julgue importantes à associação. Em particular, houve a questão de pedir ao palestrante que lidasse com o magnetismo animal malicioso ou a resistência ao crescimento espiritual, que às vezes as pessoas sentem acerca de participarem da associação. Isso pode aparecer como o argumento de que não têm condições financeiras suficientes. Talvez possam achar que a viagem é longa demais ou que estão envelhecendo. Essa é uma imposição muito maliciosa.
Skip: Talvez haja um senso de discórdia em uma associação e o palestrante gostaria de ter conhecimento para poder apoiar espiritualmente para curar o problema.
Tom: Outra questão que surgiu na reunião de ontem tinha a ver com a provisão do Manual de que uma associação sem um professor pode eleger um Cientista Cristão experiente, no singular. Uma associação não está livre para convidar múltiplos palestrantes. Mas se levanta a questão: Pode uma associação convidar vários de seus próprios membros para participar da palestra da associação, uma vez que existe mais de um indivíduo? Nossa opinião é que o Manual está aqui simplesmente indicando quem deverá conduzir a reunião da associação, e não necessariamente quem deverá cooperar com ela. Poderá haver muitos membros que possam colaborar, mas somente uma pessoa para conduzi-la. Algo que a associação pode fazer para cultivar a espiritualidade de seus membros é convidar membros para participar e contribuir de alguma maneira com a reunião, como, por exemplo, dando testemunhos de cura ou apresentando trabalhos individuais.
Skip: Sim, e o palestrante pode trabalhar com os membros da associação durante todo o ano, a respeito da colaboração deles, ou estar disponível como mentor na prática pública.
Chris: Até mesmo o palestrante pode ser encontrado exatamente ali, naquela notável associação, ou seja, um dos membros da própria associação pode ser o palestrante.
Tom: Tivemos notícias ontem de uma associação que se organizou para conduzir suas próprias reuniões de associação, e estão em um programa de revisar, a cada ano, um dos tópicos ensinados em classe. Portanto, eles estão passando por um ciclo de 12 anos, correspondente aos 12 dias do Curso Primário, e o tema da palestra em suas associações cobre o assunto ensinado em um dia de aula.
Chris: Esse foi um pequeno grupo, que achou que não tinha mais fundos para pagar um palestrante.
Skip: Que coisa maravilhosa essa associação! Os membros acharam que iam encerrar e então, com esse processo, estão continuando. Já estão na lição do décimo dia, ou seja, já chegaram a dez anos, após achar que encerrariam.
Chris: Eles disseram que prosseguiriam com a 11ª e a 12ª, e, em seguida, começariam com o 1º dia de ensino do capítulo “Recapitulação”. Além disso, cada aluno tem contribuído com as reuniões. Isso exige um ano inteiro de preparação, que é realmente o propósito de uma associação. Ela não é apenas um dia de compreensão espiritual.
Tom: Vamos falar um pouco sobre o assunto convidados. Uma associação está livre para convidar pessoas, mas o convidado precisa ter o Curso Primário. “Os alunos poderão visitar as igrejas de outros alunos, e, a convite, poderão assistir às reuniões de outras associações de alunos” (Manual da Igreja, p. 85). Portanto, as associações podem convidar, como também os professores e estudantes, que fizeram o Curso Primário, para visitar sua associação; as pessoas podem fazer o pedido para assistir a uma associação de outro professor. Se alguém tiver o Curso Primário e seu professor estiver ainda ativo, essa pessoa deverá pedir permissão ao seu próprio professor, sua concordância ou seu apoio para assistir a uma associação diferente. Uma vez que, enquanto o professor estiver aqui, ele tem a responsabilidade de apoiar o crescimento espiritual dos alunos por meio de seu próprio progresso espiritual.
Skip: E o professor tem um relacionamento contínuo com o aluno, portanto, isso é importante e o professor se interessa.
Tom: Certo, se um Cientista Cristão estiver doente e um praticista que o ajudou em alguma ocasião passada ficar sabendo, o praticista não tem permissão para ligar para o Cientista Cristão e conversar sobre a doença. Mas, se o professor desse Cientista Cristão ficar sabendo da doença, o professor tem a permissão moral de ligar para aquele Cientista Cristão e ternamente aconselhá-lo e encorajá-lo. Da mesma maneira, a comissão executiva de uma associação, ou seus membros, têm autoridade para ligar e dar apoio uns aos outros. Eles também desejam certificar-se de que não somente os convidados fizeram o Curso Primário e que não visitaram outra associação naquele ano, mas também que estão procurando visitar outra associação por um motivo legítimo, e que têm a aprovação de seu professor, caso esse ainda esteja ativo. As associações sem professores usualmente têm uma comissão executiva e um secretário, que ajudam na logística de uma reunião da associação, mas eles raramente conduzem todos os assuntos da associação. Entendo que Mary Baker Eddy sugere que as associações sejam democráticas, para que os próprios membros mantenham o poder na condução perpétua da associação, e em quaisquer ajustes de seus estatutos.
Chris: Em algumas associações, os membros são informados sobre quem será o palestrante. Mas soube que em algumas os membros votam na pessoa que desejam como palestrante.
Tom: Além disso, os membros certamente podem fazer recomendações. Eles podem ser muito ativos nesse processo, e suas orações apoiam a solução sábia e a escolha de um palestrante que trará àquela associação o senso espiritual de assuntos sobre os quais os membros estejam particularmente interessados.
Chris: Pode surgir a questão se os membros de uma associação sem professor podem procurar um professor ativo, não para as reuniões da associação, mas para atuar como um mentor, caso estejam desejando ingressar na prática pública, por exemplo. Naturalmente, isso é totalmente correto. Eles podem ter um mentor, mas então a qual associação assistirão? Seu compromisso é ainda assistir à associação de seu próprio professor. O professor que atua como mentor reconhece isso e não deverá haver esse falso senso de compromisso para com esse professor. Nosso compromisso é com nossa própria associação.
Tom: Por que é tão importante que você apoie sua própria associação? Porque frequentemente ouvimos dizer: “Não quero ir à minha associação e ouvir um palestrante convidado. Desejo ir a uma associação que tenha um professor para dar a palestra”.
Skip: Por duas razões. Uma é que o aluno já recebeu o ensinamento. Ele não está em busca de mais ensinamento, mas está procurando aplicar o aprendizado que já recebeu. A outra é por uma razão muito prática: se alguém decidir que deseja migrar para um professor ativo, rapidamente a associação fica enfraquecida. Então, há uma tendência de a associação querer se desagregar ou se dissolver, o que é totalmente contrário ao senso que Mary Baker Eddy tinha de estabelecer associações fortes e contínuas, e que fortaleceriam o movimento da Ciência Cristã.
Warren: Existe uma terceira razão, à qual nos referimos anteriormente: que os membros de uma associação podem ser mentores uns dos outros, oferecendo suas experiências de cura, suas percepções espirituais e apoio mútuo?
Tom: Certamente. Um Praticista da Ciência Cristã me ligou, há uns dois anos (seu professor havia falecido), e me perguntou se eu podia ser seu mentor. Portanto, tivemos várias conversas sobre a prática. Então, recebi este e-mail dele: “Fui convidado a dar uma palestra para uma associação e, como você sabe, há anos não tenho participado da minha própria associação. Não estou muito seguro se estou pronto para essa experiência. Felizmente, esse é um convite para 2016, e creio que terei tempo para me preparar”. Essa informação me forneceu uma visão nova, pois eu o havia convidado para participar da minha associação, quando ele tinha a sua própria associação. Esse acontecimento me deixou em alerta e me fez compreender que, nesse caso particular, eu estava fazendo algo errado. Além disso, ele talvez tivesse de curar algo em seu próprio pensamento a respeito de seu relacionamento com sua associação. Você não pode fazer duas coisas ao mesmo tempo. Você não pode dizer: “Desejo ser um palestrante convidado, mas no caso de minha associação, se houver um palestrante convidado, não quero participar dela”.
Warren: Portanto, existe uma ética mais elevada em ação dentro do relacionamento entre um aluno e sua associação, uma ética que precisa ser considerada com frequência, a fim de que se possa manter um senso claro de propósito necessário para se participar de uma associação?
Tom: Claro, e mesmo que seu mentor ache que ter você como visitante na associação dele seja parte do processo de tutela, trata-se de algo a que se deve dar uma atenção criteriosa. Isso não significa que você nunca deva visitar outra associação. De fato, uma consideração cautelosa sobre as circunstâncias individuais de cada caso talvez possa levar a uma visita.
Chris: Compreendo como as falsidades mentalmente projetadas sobre uma associação, sugerindo que esteja decadente, em declínio ou enfraquecida, pode levar alguém a não frequentar sua própria associação. Entretanto, aprendi também que rejeitar essas mentiras por meio de oração inaudível produz resultados. Recebi dois e-mails de convidados que participaram da reunião da minha associação durante vários anos, por achar que sua associação ficava muito distante ou que não tinham recursos para pagar a viagem...
Tom: Eles se dispuseram a voltar para sua própria associação, não é?
Chris: Sim, eles ficaram gratos por terem participado da minha, mas certamente sentiram que deveriam participar de sua própria associação. Essa é a ação do Cristo atraindo-os para a ética correta de uma associação.
Skip: Esse é um despertar que acontece a todos nós.
Tom: Ora, toda vez que aparece uma influência mental negativa que provoca divisão, você pode estar certo de que não é o pensamento dos membros da associação. É uma crença imposta. À medida que os Cientistas Cristãos se conscientizam disso, eles também se conscientizam mais da autoridade absoluta, da vitória e do poder do Espírito Santo, ou Cristo, sobre todas as forças das trevas e do mal. Uma solução espiritual é uma conscientização espiritual do poder e da autoridade de Deus, aquilo com o que os Cientistas Cristãos devem derrotar toda essa crença chamada magnetismo animal malicioso. Se formos fiéis, prevaleceremos. A Ciência divina prevalecerá.
Skip: Isso que você falou, Tom, para mim parece fazer parte desse processo de maturação, desse processo de aprofundamento, no segundo século da Ciência Cristã. É interessante observar que Mary Baker Eddy estimulava as pessoas a se empenharem espiritualmente, da maneira como você está falando, não porque ela estivesse alarmada, mas porque sabia como essa postura é eficaz e poderosa. Lembro-me de que ela certa vez disse em uma carta que a Causa da Ciência Cristã deve ser conduzida mentalmente, da mesma maneira que a conduziríamos em pessoa.
Chris: A organização da associação, portanto, é uma compreensão estruturada do poder da Verdade, uma percepção do poder da Verdade que se aprofunda constantemente.
Skip: E isso é bom, não apenas para os Cientistas Cristãos, mas para toda a humanidade. Uma associação promove elevação de todos os povos. Portanto, ela não é beligerante, mas opera em benefício da humanidade.
Tom: Convém repetir: Não se pode derrotar o mal organizado com o bem esporádico. Os Cientistas Cristãos necessitam ser tão organizados, ou mais, do que as pretensas forças do mal. As associações sem professores desempenham um papel absolutamente insubstituível e vital. Não estamos apenas resistindo; estamos nos organizando para derrotar, para eliminar o erro.
Chris: Para provar a totalidade do poder do Cristo.
Tom: Não estamos em uma condição defensiva. Estamos na condição de ataque ao erro.
Chris: Mary Baker Eddy perguntou: “Que fareis a esse respeito? Mantereis a mesma dedicação em prol da verdade?” (Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896, p. 177).
Tom: Trabalhar “com fervor pela verdade” é algo que os Cientistas Cristãos podem fazer. À medida que os membros das associações sem professores se apoiarem mutuamente, estiverem conscientizados de sua oportunidade de amar uns aos outros e de apoiar suas igrejas filiais, descobriremos que, quer um professor esteja presente ou não, o ensinamento está ali. O ensinamento é o Espírito Santo. É o Cristo, a mensagem da Ciência divina. É a revelação final da cura espiritual absoluta, divina. Não existe nenhum propósito maior do que esse. À medida que as associações sem professores permanecem vitais, cuidando de seus próprios interesses, elas se tornam parte do fermento ativo na consciência humana, que opera de forma invisível mesmo que não reconhecida.
Skip: Elas mudam o equilíbrio do pensamento humano.
Tom: Você colocou isso de modo magnífico. Mary Baker Eddy diz: “O ‘cicio tranquilo e suave’ do pensamento científico se estende sobre continentes e oceanos, até às extremidades mais remotas do globo” (Ciência e Saúde, p. 559). As associações sem professores se constituem em uma parte vital desse processo de estender-se de forma silenciosa, amorosa e eficaz “sobre continentes e oceanos, até às extremidades mais remotas do globo”. Portanto, quando as associações sem professores estão em vigor, em atividade e reconhecendo sua missão como parte essencial do fermento, elas tendem a perceber que são mais que uma atividade social. Elas representam o trabalho mais importante do mundo.
Chris: Ciência e Saúde também diz: “Um Cientista Cristão ocupa na atualidade o lugar [talvez possamos dizer que uma associação de alunos de Ciência Cristã também ocupe esse lugar] de que Jesus falava a seus discípulos, quando disse: ‘Vós sois o sal da terra’. ‘Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte’ ” (p. 367). É isso que acende a chama que o Skip trouxe à baila no começo. Alguém ontem falou sobre a reunião de sua associação como sentindo que seus pés foram colocados sobre o fogo.
Tom: Não apenas para aquecê-los!
Chris: Não, para mantê-los em movimento!
Warren: Tal como no “movimento da Ciência Cristã”? Esse movimento contínuo de pensamento e progresso espiritual, da associação individual e coletiva?
Chris: Sim, porque: “o progresso é a lei de Deus” (Ciência e Saúde, p. 233).
Skip: Algumas vezes, costumamos pensar em termos da organização da Ciência Cristã, mas, quando recuamos mentalmente para ver melhor, percebemos um sistema educacional, conforme a Chris mencionou anteriormente. Porque a intenção de Mary Baker Eddy era que cada passo da organização tivesse um propósito educacional. A razão para tudo isso é muito clara: Existe uma necessidade de substituir um senso material de educação pela luz espiritual genuína, a compreensão, pela educação que veio com a descoberta da Ciência Cristã. Entretanto, Mary Baker Eddy não parou aí. Ela disse que essa educação deveria continuar, realmente em uma base diária, a fim de se elevar acima de um estruturado senso material do ser que assalta a todos nós, quer sejamos Cientistas Cristãos ou não.
Tom: O sistema educacional da Ciência Cristã quase que pode ser considerado como uma oposição à pressão educacional da má prática mental do mundo, não? As pretensas forças do mal estão determinadas a dominar a consciência humana, a fim de que sua teoria da superioridade da matéria possa dominá-la. Entretanto, Jesus veio “para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10). Temos a solução completa e correta e essa solução se manifesta por meio de um processo educacional.
Chris: Mary Baker Eddy descobriu a Ciência e aprofundou-a, disse ela, por meio da revelação, da razão e da demonstração (ver Ciência e Saúde, p. 109) e, então, vem a necessidade de viver o que estamos aprendendo. Essa Ciência não se trata de uma bela teoria; ela é uma maneira de viver cada vez mais próximo de Deus, das leis divinas da Vida, da Verdade e do Amor.
Tom: Se uma associação se dissolveu, recentemente ou no passado, estariam seus membros em liberdade para se reunirem e reconstituírem essa associação? Para nós do Conselho de Educação parece que os membros estão livres para fazer isso, porque uma associação é uma ideia perpétua, uma ideia da Mente divina. Ela não é apenas uma simples organização humana. Portanto, os membros podem se reconstituir em uma associação e reunir os alunos daquele professor, dispostos a fazê-lo, para reivindicar essa associação como parte vital da Igreja de Cristo, Cientista, funcionando para apoiar uns aos outros, mediante essa forma única que as associações sem professores têm o privilégio de atuar.
Chris: E com o propósito de crescimento espiritual e cura, não apenas com um propósito social.
Tom: O que dizer sobre as finanças? Digamos que uma associação sem professor chegue ao ponto em que eles não tenham mais nenhum recurso financeiro. A fim de prepararem uma reunião, eles precisam alugar um local, não?
Skip: Talvez não. Deve haver inúmeras soluções. Não existe nenhum problema sem solução. Poderia bem ser que algo menos tradicional servisse, até mesmo a sala de estar da casa de alguém.
Tom: Ou a Escola Dominical de uma igreja. O que ocorre se não houver dinheiro para pagar um palestrante convidado ou suas despesas de viagem?
Skip: Talvez possam encontrar um ótimo palestrante dentro da associação, alguém que não tenha de viajar ou mesmo alguém que não dependa muito de honorários. Em alguns países, isso é especialmente importante. Uma associação mais antiga talvez não acredite que tenha os fundos necessários para financiar alguém que venha de longe.
Warren: E se um professor tiver deixado instruções, oralmente ou por escrito, acerca de como uma associação deva ser conduzida?
Skip: É muito difícil fazer valer sua vontade ou estabelecê-la para o futuro, porque o mundo muda continuamente. Poderá haver necessidades que não foram prontamente previstas na ocasião. Portanto, faz parte da associação se manter à altura dos tempos.
Chris: Existe a necessidade de manter nossa inspiração sempre renovada, viçosa, exatamente como não repetimos a mesma oração a cada dia em nossos tratamentos. A mente humana tem uma tendência de cair na rotina: “Faremos a reunião de negócios pela manhã e, em seguida, teremos o intervalo para o almoço em tal horário”. Percebi que minha própria carta de convocação para a associação tem sido muito semelhante ao longo dos anos. Precisamos reconhecer que as misericórdias de Deus são novas a cada dia, repletas de nova inspiração. Gosto do pensamento de Jesus transformando a água em vinho, ou seja, convertendo a atividade rotineira na inspiração do desenvolvimento e do crescimento espiritual.
Skip: Algumas vezes, desenvolvemos pequenos rituais que fazem com que as pessoas se sintam cômodas e achem que estão sendo corretas. Entretanto, podemos descobrir coisas novas que nos fazem sair dessas zonas de conforto e encontrar novas maneiras de fazer as coisas, as quais são exatamente tão corretas e, às vezes, mais inspiradas.
Warren: Qual é o próximo passo após a reunião com os secretários e membros da diretoria das associações da área de Boston?
Skip: Vamos conduzir teleconferências com todas as associações sem professores, de língua inglesa.
Tom: Existem cerca de 220 associações sem professores, portanto, esse é um grande projeto, com um grande propósito: ajudar a revitalizar e a enfocar novamente as associações sem professores, para que possam cumprir com seu propósito de dinamismo. O Conselho de Educação apoia as associações sem professores mediante esse processo, que começa exatamente agora. Esperamos receber suas ideias, como também suas perguntas.
Skip: Esperamos que assim surjam novas ideias que possam ser compartilhadas com as várias associações.
Tom: Quando as associações devem se dissolver? Ao alcançarem um determinado tamanho numérico? Em que ponto seria prudente se dissolver?
Skip: Não acho que possamos nos guiar pelos números. Em alguns casos, há apenas poucas pessoas em uma associação e alguns talvez pensem: “ora, somos tão poucos que temos de nos dissolver”. Mas, em um determinado caso, os membros de uma associação descobriram que foram inspirados a continuar por mais dez anos. Portanto, não creio que apenas os números possam nos dizer quando dar esse passo.
Tom: Talvez a questão seja a de que eles devem se dissolver, quando o profundo propósito da associação possa ser melhor alcançado por outros meios, ou seja, que a espiritualidade dos membros possa ser alcançada e preservada por intermédio de alguma outra atividade legítima da igreja.
Chris: É realmente semelhante à pergunta: “Por quanto tempo devo ser ativo na igreja”? Podemos decidir a nunca parar de crescer espiritualmente. Como você mencionou, Tom, a ideia espiritual da associação está sempre aqui. Uma pessoa é sempre membro de uma associação, mesmo que essa pessoa não a tenha frequentado durante muitos anos. Um membro de uma associação trouxe à baila ontem que eles ligam para aqueles que não comparecem à reunião anual da associação só para se certificarem de que estão bem. Não para perguntar: “Por que você não veio”? Mas para dizer: “Sentimos sua falta ontem”.
Tom: “O que podemos fazer para ajudar?”
Chris: É um chamado amoroso, do tipo “amamos você”.
Para entrar em contato com o Conselho de Educação, escreva para o e-mail: BoardOfEducation@csps.com, ou ligue para +1 617-450-3662 (em inglês). O endereço postal do Conselho de Educação é: 210 Massachusetts Avenue, P07-10, Boston, Massachusetts, 02115, EUA.