Tony Lobl
Um avião da Air France, na rota do Brasil para a França, caiu no Atlântico com 228 passageiros a bordo, fato que deixou o público, amigos e parentes chocados e dominados pela dor. Embora a perda de um ente querido seja profundamente dolorosa, a sensação de não saber ao certo o que ocorreu acrescenta um elemento extra de perturbação à tragédia.
Não ter certeza do que realmente aconteceu, deixa um espaço aberto para a esperança de que as coisas talvez não sejam tão trágicas como parecem. Poderia um milagre ter acontecido? Poderia algum sobrevivente ser encontrado? Isso causaria profunda alegria. Por outro lado, o não conhecimento é um convite para que a imaginação evoque quadros que preferiríamos não contemplar.
Hoje, cidadãos em todos os continentes podem ouvir a promessa a respeito da conexão contínua de todos os nossos entes queridos com a verdadeira vida, a Vida divina, Deus, podem ponderá-la e alcançar a convicção, isto é, a capacidade de sentir o poder todo-consolador do Amor divino. Seria essa capacidade de sentir o Amor, que é Vida, realmente possível? O Salmista achava que sim, pois escreveu, em uma oração a Deus: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Salmos 119:18).
A existência espiritual nunca é trágica
Hoje, faço essa oração para todos que têm algum relacionamento com os passageiros e com a tripulação desse voo da Air France. Para que o Espírito, Deus, abra nossos olhos e corações para a ordem duradoura, espiritual, que está além da esperança humana. Para a certeza do eterno bem-estar de cada homem, mulher e criança, como os filhos amados de Deus.
Sob uma perspectiva espiritual, o desconhecido não é algo a ser temido. Em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy oferece a seguinte interpretação espiritual para esta palavra: “DESCONHECIDO. Aquilo que só o sentido espiritual compreende, e que é desconhecido para os sentidos materiais” (p. 596).
Oro para compreender mais claramente que a existência espiritual nunca é trágica. Na realidade espiritual, onde o Amor divino, Deus, é responsável pelo bem-estar de Seus filhos, a segurança está livre de perigo e é constante. Os sentidos materiais talvez não consigam ver, ouvir, sentir, tocar ou cheirar essa realidade espiritual, ou seja, conhecê-la, de acordo com sua própria capacidade de medir todas as coisas, conforme definidas pela matéria. Contudo, exatamente onde o sentido material julga algo como presente ou ausente, bom ou mau, feliz ou triste, existe outro sentido que julga de forma diferente. Todos temos inerentemente um sentido espiritual dentro de nós que pode captar aquilo que é espiritualmente conhecido e ver como ele se aplica a tudo em nossa vida, não importa quão desafiadores os acontecimentos pareçam ser.
Esse sentido espiritual vê a Vida indestrutível, Deus, o terno bem, em toda parte, mesmo onde parece que o bem é incerto. Esse sentido espiritual vê a expressão vigorosa da Vida prevalecendo, intocada pela matéria e suas condições instáveis, e irreprimível em sua expressão individual.
Nossas orações podem se concentrar em realçar mais nitidamente as relações inquebrantáveis entre todos nós
Logo que tomei conhecimento de que se havia perdido contato com o jato da Air France, este versículo bíblico de Atos 17:28 veio-me ao pensamento: “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos...”, isto é, no reino do Espírito, onde todos somos criados para expressar a Deus em um uníssono universal, ligados eternamente um ao outro e com amor um pelo outro. Esse amor reflete o amor de Deus por todos nós, universalmente retribuído.
Nossas orações podem se concentrar em realçar mais nitidamente as relações inquebrantáveis entre todos nós. Podemos orar para melhor perceber como estamos sempre mantidos em união naquele lugar celestial, não abrangido pela mente humana, como também para nos dispormos a ter nossos olhos abertos para aquilo que não pode ser visto e ouvido.
A natureza e a praticidade consoladoras de tal oração foram maravilhosamente expressas por alguém que não era nenhum estranho a circunstâncias profundamente desafiadoras: o Apóstolo Paulo. Em Roma, ele garantiu aos seus colegas de jornada espiritual: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as cousas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:38,39).
Juntos, podemos nos ater firmemente e com coragem à convicção do amor de Deus e nos recusar a abandoná-la.