Warren Bolon, de The Christian Science Journal, foi o moderador de uma conversa com quatro enfermeiros da Ciência Cristã que se anunciam no The Christian Science Journal: Daniel Abbey, Eva Boone Hussey, Linda Kohler e Robin Tamm-Buckle. Alguns trechos dessa interessante conversa seguem abaixo:
Warren Bolon: Qual é o fundamento do trabalho de um enfermeiro da Ciência Cristã?
Eva Boone Hussey: O trabalho na Enfermagem da Ciência Cristã está alicerçado no fundamento cristão que compreende que a cura é possível por meio do Amor de Deus por todos os Seus filhos. Também, na compreensão de que os enfermeiros da Ciência Cristã estão demonstrando esse terno cuidado de Deus por Sua criação, por meio da presença de sua convicção espiritual e do atendimento às necessidades físicas. Existe algo que aprecio muito em Retrospecção e Introspecção, de Mary Baker Eddy, e que exprime, de forma compassiva, o ministério da enfermagem: “Limpa toda mancha das roupas enxovalhadas desse viandante, tira o pó de seus pés e enxuga as lágrimas de seus olhos, para que possas contemplar o homem real, o concidadão dos santos e membro de uma família sagrada” (p. 86). Essa é a essência da Enfermagem da Ciência Cristã, reconhecer no paciente esse “membro de uma família sagrada”, o amado filho de Deus.
Robin Tamm-Buckle: Em um popular esporte escocês chamado “curling” (semelhante a um jogo de boliche, jogado em uma pista retangular de gelo por duas equipes de quatro jogadores cada), dois jogadores varrem e alisam o gelo o tempo todo com um tipo de vassoura, a fim de remover qualquer sujeira ou imperfeição, de modo que a “pedra” (bola de granito polido) possa deslizar pelo gelo até o seu destino. A Enfermagem da Ciência Cristã também requer que tiremos a preocupação, a dúvida e a ansiedade daqueles que estão ao redor do paciente. Quando faço isso, sinto que estou permitindo que o paciente siga livremente sua vida, por assim dizer, para atingir a meta chamada cura.
Daniel Abbey: A passagem de Gálatas 6:10 dá uma definição simplificada de um Enfermeiro da Ciência Cristã, alguém capaz de “[fazer] o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé”. Prestamos assistência às pessoas que são Cientistas Cristãos praticantes ou àqueles que decidiram confiar em Deus para se curar, por meio dos ensinamentos da Ciência Cristã.
EBH: No capítulo “A Prática da Ciência Cristã”, do livro Ciência e Saúde, aparece este título marginal: “Assistência aos doentes”. Esse parágrafo identifica as qualidades que os enfermeiros devem e não devem trazer para o quarto do paciente e diz: “Uma pessoa geniosa, queixosa ou falsa, não deve ser enfermeira. A enfermeira deve ser alegre, ordeira, pontual, paciente, cheia de fé — receptiva à Verdade e ao Amor” (p. 395). Verdade e Amor são sinônimos de Deus, portanto, Mary Baker Eddy pediu que sejamos receptivos à orientação de Deus. O maior dom que um Enfermeiro da Ciência Cristã pode trazer ao quarto do paciente é seu pensamento. Afinal, qualquer um pode aprender a arrumar bem uma cama, preparar uma refeição, prestar assistência qualificada. Essas coisas, contudo, não levam em consideração a importância da atmosfera mental que cerca o paciente, para a qual o Enfermeiro da Ciência Cristã pode contribuir muito. Acho que o texto acima está nos pedindo, em essência, nossa colaboração no sentido de sermos alegres, ordeiros, pontuais e assim por diante, além de todas essas expressões possuírem, em si mesmas, muitas nuances significativas.
Linda Kohler: Às vezes, somos chamados para ajudar e permanecer com alguém e parece que a necessidade por cura física ou por ajuda física seja urgente. Contudo, temos de manter constantemente diante do pensamento o fato de que o objetivo da Ciência Cristã não é apenas o de fazer com que o paciente sinta-se melhor. O objetivo é a regeneração do pensamento do paciente, como também a compreensão de sua própria identidade espiritual, o que resulta em boa saúde.
Outras vezes, se o problema for algo pelo qual eles já estejam orando por algum tempo, mas que ainda não cedeu, eles podem sentir-se desencorajados e até indignos da cura. É muito bom nutrir a coragem do paciente, por meio da convicção de que o Cristo está em todos, de que cada um de nós pode ouvir a voz de Deus, de que cada um de nós é merecedor de vivenciar a paz que provém de se estar consciente da presença do Amor divino, confortando e cuidando de nós. Não fazemos isso por eles; porém, confiamos em que o Cristo fale a todos.
WB: Quais são algumas das dimensões éticas da enfermagem da Ciência Cristã?
LK: Uma de importância fundamental é a de manter a natureza sigilosa do trabalho, não comentando sobre o caso ou permitindo que alguém saiba de quem você está cuidando. Na maioria dos casos, o paciente deseja ficar a sós com Deus e com seu praticista e a capacidade de um Enfermeiro da Ciência Cristã de respeitar essa privacidade é muito importante. Outra parte também importante da ética é respeitar os direitos do paciente de tomar decisões sobre o seu próprio tratamento. O Enfermeiro da Ciência Cristã talvez possa oferecer opções que o paciente nem sabe que existem, como por exemplo, uma forma de tomar banho ou um modo de conseguir se alimentar quando há dificuldade em engolir alimentos sólidos, mas os pacientes realmente têm o direito e a responsabilidade de tomar decisões sobre o seu tratamento e sobre a duração desse tratamento. Naturalmente, um Enfermeiro da Ciência Cristã é sempre obediente às leis do país, portanto, onde quer que estejamos tratando de alguém, seguimos as leis daquele país ou estado.
EBH: Existem também coisas que um Enfermeiro da Ciência Cristã não faz. Entre essas coisas estão: dar conselhos ou recomendações pessoais; assumir a responsabilidade de tomar decisões pelo paciente com relação ao tratamento; diagnosticar, anotar ou manter um registro dos sintomas ou do estado do paciente; administrar medicação, drogas ou usar produtos medicamentosos, à base de ervas ou de vitaminas. O Enfermeiro da Ciência Cristã também não usa nem aplica técnicas, equipamentos e tecnologia de orientação médica, nem utiliza terapias físicas.
Se um paciente, a qualquer momento, desejar fazer uma alteração no tipo de tratamento que esteja recebendo, o Enfermeiro da Ciência Cristã aplica todos os esforços no sentido de ajudar a fazer com que isso aconteça. Nós honramos e respeitamos o direito do paciente de se autogovernar e a capacidade de decidir o que melhor atenda a suas necessidades, em qualquer momento.
DA: Nossos padrões éticos estão fundamentados em nossos livros-texto, a Bíblia e Ciência e Saúde. Para mim, o padrão fundamental que todos nós, como enfermeiros da Ciência Cristã, temos de manter é: “fazer aos outros o que desejamos nos façam” (ver Ciência e Saúde, p. 497). Portanto, quando um Enfermeiro da Ciência Cristã cuida de um paciente, ele deseja agir exatamente da forma como ele mesmo gostaria de ser tratado.
WB: O que dizer a respeito das instituições que prestam serviços de enfermagem?
EBH: Elas estão localizadas em todo o mundo e oferecem um refúgio para aqueles que dependem de oração científica para a cura, conforme explanado em Ciência e Saúde. Podemos encontrar os enfermeiros da Ciência Cristã nessas instituições, de prontidão, 24 horas por dia, 7 dias por semana, para prover encorajamento espiritual e atender às necessidades físicas dos pacientes. Essas instituições são extremamente valiosas por proporcionarem um ambiente tranquilo e amoroso, onde a dependência e a confiança do paciente em Deus é plenamente sustentada e a cura esperada.
LK: Às vezes, as pessoas realmente necessitam ficar longe do ambiente doméstico, porque esse ambiente talvez não ofereça a atmosfera calma necessária, ou porque o cuidado necessário exija vários enfermeiros e a prestação de serviços de enfermagem por 24 horas.
RTB: Além disso, frequentemente, as pessoas que prestam serviços de enfermagem em domicílio também necessitam de descanso.
DA: Comparo as instituições que prestam serviços de enfermagem com aquela hospedaria à qual “o bom Samaritano” leva a vítima dos salteadores, na parábola de Jesus. Essas instituições são apenas um refúgio temporário para a cura, e, depois da cura, o paciente volta para casa.
WB: Visto que o trabalho do Enfermeiro da Ciência Cristã é sério e exije muita dedicação, como pode existir também alegria nesse trabalho?
RTB: Há a alegria de vermos a harmonia, inerente em qualquer situação, vindo à tona onde ela parecia não existir. Isso também pode ser visto em inúmeras ações, seja o que for que Deus nos diga para fazer. Geralmente, a Enfermagem da Ciência Cristã não inclui serviço doméstico, mas tive grande satisfação em esfregar o chão de alguns quartos de pacientes, porque isso se constituía em uma fonte de preocupação, significando que, enquanto o paciente estiver se preocupando, não estará se concentrando na saúde que almeja.
LK: Deus deseja que compreendamos a profundidade e a largura, o coração e a alma com os quais Ele ama e cuida de cada um de nós. Como Enfermeiro da Ciência Cristã, quando estamos mentalmente em sintonia com o cuidado que flui do grande coração do Amor, e pensando e agindo de acordo com essa sintonia, somos uma expressão prática desse cuidado.
EBH: Gosto de pensar na origem da palavra “nurse” (enfermeiro em inglês): “nutrir, confortar, sustentar, cuidar, sustentar com afeto”. O que me esforço por fazer é me ater firmemente ao relacionamento do paciente com Deus como amoroso e inseparável. A coisa mais importante que podemos fazer com amor é saber o que Deus sabe sobre cada um de Seus filhos.