Beth Carey
A Lição Bíblica da Ciência Cristã da semana de 3 a 9 de maio, intitulada: “Adão e o homem decaído”, apresenta uma alegoria bíblica com três personagens importantes: Adão, Eva e uma serpente falante muito saliente (19 referências).
Mitos a respeito da criação apareceram em todas as civilizações. O relato do Gênesis sobre os humanos decaídos foi comparado a uma tragédia grega. Orgulho, medo e desejo material instigam a humanidade a agir contra Deus. O resultado é pecado, culpa e punição. Ciência e Saúde se refere ao relato de Adão como “alegoria” (p. 533, citação 6), “ilusão” (p. 307, citação 7), “pura ilusão” (p. 567, citação 20) e “metáfora” (p. 529, citação 5). Uma alegoria é uma história em que ações e personagens simbólicos descrevem generalizações sobre a experiência humana. Em outras palavras, não existe nenhuma autenticidade na história. Portanto, podemos concluir que a queda do homem não foi um acontecimento histórico. Foi e é um mito.
Paulo aborda a mesma questão em 1 Coríntios 15:22, que é citado em Ciência e Saúde: “ ‘Assim como em Adão [o erro] todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo [a Verdade]’ ” (p. 545, citação 3). O Cristo destrói a crença em um ser humano decaído.
Lucas fala em linguagem poética sobre esse mesmo tipo de redenção. Ele escreve que Deus “nos suscitou plena e poderosa salvação na casa de Davi, seu servo”, uma referência a Cristo Jesus (Lucas 1:69, citação 13). A palavra inglesa Horn (chifre), usada na Bíblia inglesa, representa aqui uma metáfora para poder, força e vitória. “Horns” (chifres) são tanto ornamentos como armas para os animais que os possuem. A Nova Bíblia Inglesa traduz este versículo assim: “...suscitou um libertador de vitorioso poder”. Goodspeed parafraseia e escreve: “Ele produziu um salvador poderoso para nós” (Edgar J. Goodspeed, The New Testament: An American Translation [O Novo Testamento: Uma tradução americana]). Quando estamos alerta para o Cristo, a Verdade, somos vitoriosos. Não somos enganados pela conversa da serpente, que insiste em que somos seres humanos pecaminosos.
A conversa da serpente é também considerada no relato que consta do Evangelho a respeito do homem que havia nascido cego. Os discípulos imaginavam se a hereditariedade talvez tivesse algo a ver com essa situação. “...quem pecou”, eles perguntam, “este ou seus pais, para que nascesse cego”? Jesus imediatamente declara que não existe nenhum ser humano “decaído” nessa situação. Ele responde: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9:2, 3, citação 18).
Em seguida, o homem é instruído a ir se lavar no tanque de Siloé, que era um tanque retangular localizado dentro dos muros da cidade de Jerusalém, não muito distante do templo. A água vinha de fora dos muros da cidade, através de um túnel escavado, com cerca de 500 metros de comprimento. Os arqueólogos imaginam que o tanque de Siloé era a fonte da água usada nas cerimônias religiosas. Raymond Brown declara: “Fontes rabínicas o mencionam como um lugar de purificação” (Anchor Bible, João, p. 372). O relato da Bíblia continua dizendo que o homem cego “... foi, lavou-se e voltou vendo” (João 9:7, citação 18). Não haverá mais conversa de serpente sobre cegueira hereditária na experiência desse homem. Ciência e Saúde explica esse tipo de cura, declarando: “Jesus via na Ciência o homem perfeito, que lhe aparecia ali mesmo onde o homem mortal e pecador aparece aos mortais” (p. 476, citação 15).
No Apocalipse, a serpente do Gênesis se torna um inchado dragão vermelho. Ciência e Saúde o descreve como “maduro para a destruição” (p. 565, citação 19). A Seção V inclui muitas referências do livro apocalíptico da Revelação, como também sobre ele. Apocalypse é uma palavra grega que significa pôr a descoberto, revelar, daí a palavra revelação. Os escritos apocalípticos proporcionavam encorajamento, esperança e consolo para aqueles que estavam sendo perseguidos e incluíam referências que eram compreendidas somente por uns poucos privilegiados. Uma vez que não mais conhecemos as concepções sobre as quais as referências foram construídas, é difícil para os leitores modernos compreenderem todas aquelas mensagens em códigos.
Algumas vezes, essas mensagens são explicadas na própria Bíblia. Ao falar a respeito do “grande dragão vermelho”, o Apocalipse se refere a ele como “a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo” (Apocalipse 12:9, citação 21).
Ciência e Saúde também explica alguns aspectos do Apocalipse, como nesta passagem: “A mulher no Apocalipse simboliza o homem genérico, a idéia espiritual de Deus; exemplifica a coincidência de Deus com o homem como Princípio divino e idéia divina” (p. 561, citação 18).
“A ideia espiritual de Deus” contradiz o conceito de um homem decaído. Ciência e Saúde conclui: “...o homem reabrirá, com a chave da Ciência divina, as portas do Paraíso, que as crenças humanas fecharam, e verificará que não é decaído, mas reto, puro e livre...” (p. 171, citação 26). A crença em um homem decaído fica assim destruída pela lei da Vida, como Cristo Jesus o comprovou.
Beth Carey é Praticista da Ciência Cristã e mora em Elsah, Illinois, EUA.